Usos e Costumes

1. Aparência Externa

A adoção dos Usos e Costumes aos adeptos é devida, na presunção de justificarem uma aparência piedosa e ostentar um pretenso elitismo espiritual. Alguns ministérios da Maranata não impõem os usos e costumes de forma taxativa e constrangedora, no entanto, dissimuladamente utilizam de subterfúgios para que os adeptos sintam-se constrangidos a adaptarem-se ao Legalismo religioso do sistema. Desprezo, indiferença, rejeição ou mesmo censura e proibição de participar de tarefas na Instituição é um dos artifícios para impor indiretamente a adoção dos usos e costumes particulares da Maranata. Também lançam mão de “revelações”, “visões” em nome de Deus para que a pessoa sinta-se amedrontada e, então, vencida pela chantagem a adaptar-se aos usos e costumes. Os membros só são considerados e respeitados como espirituais ou obedientes a Deus – “na revelação”, como preferem chamar – de modo que sejam postos como candidatos para funções eclesiásticas na Maranata, se, e somente se, estiverem e seguirem piamente os conformes do legalismo religioso. Segundo tal teologia, observar tais usos e costumes é ter “aparência de servo” e “andar na revelação” porque é um sinal que o adepto “entendeu a Obra”.

1.1. Padrão Masculino: Rosto Imberbe e Traje Social

Aos homens é obrigatória a adoção do rosto imberbe (com exceção do bigode que é incoerentemente permitido) e o cabelo devidamente curto, sob a justificativa de que é mais higiênico, solene, espiritual, para a “aparência de servo”; bem como, em regra, é impelido o uso de roupa formal e social, como o mesmo escopo de auto-afirmação espiritual. O descumprimento de tais conformes reputa-se sumariamente que o adepto é um “desacertado”, um “enfermo espiritual”, no que lhe gera penalizações e discriminações, desde as advertências e perdas de funções. O terno e gravata é traje obrigatório para os cargos eclesiásticos, especialmente nos cultos convencionais. Justificam o seu uso por uma revelação de Deus, alegando que assim como as pessoas se ataviam com requinte perante as autoridades seculares, assim também, devem fazer perante a Autoridade Divina. Por isso, só quem pode subir a púlpito, orar para os visitantes, em cultos principais (à noite), são os “varões” que estiverem impecavelmente trajados de terno e gravata. Percebe-se que a utilização desse traje nada mais é que um instrumento para ostentar superioridade e almejar satisfação social e reconhecimento espiritual.

1.2. Padrão Feminino: Saias ou Vestidos

Às mulheres é obrigatório o atavio restrito de vestidos ou saias, e, alguns casos, o uso de certos adornos como brincos de argola, unhas grandes e vestidos ou blusa de alcinhas são proibidos. Sendo assim, calça comprida, bermuda e até mesmo a calça-saia são peças terminantemente proibidas para as mulheres da Maranata, ainda que as tais mantenham uma costura modesta e ordeira. Ainda que a igreja seja localizada numa região de frio intenso, deve ainda se manter o uso de tais peças, situação que acarretará a mulheres o uso de uma calça por debaixo da saia ou vestido. O uso de indumentárias contrárias ao do vestuário feminino imposto pelo sistema, traduz sumariamente em sinal de lascívia, desobediência e, claro, na constatação que a serva está com uma enfermidade espiritual.

1.3. Censura de Expressões

Apregoa-se a proibição de palavras através de um fundamentalismo religioso de tolher seus membros nas orações o uso de expressões como “Paizinho”, “Papai do Céu”, “Muito Obrigado”, “Obrigado”; uma vez que não há tais palavras expressas na Bíblia, não se devem proferir gratidão com as tais e nem dirigir-se a Deus de forma tão coloquial – justifica a Maranata. Bem como, é considerado falta de respeito dirigir-se a Deus utilizando tais palavras, alegam que é “chulo” e “irreverente”, pois é coisa de “crente da religião”. “Eu te amo Jesus!” e derivadas, também, é uma expressão em oração proibida, pois, desde o episódio subversivo no maanaim de Brasília, a liderança passou a reputá-la como “carnal” e “emotiva”. Logo, Deus não aprecia essa forma coloquial e informal de dirigir-se a Ele. Falar também as palavras estrangeiras “diabo” (do grego, acusador), “Satanás” (do hebraico, adversário), em referência ao Inimigo das nossas almas, ou outros nomes tradicionais, é terminantemente proibido, reprovável e escandalizável no sistema, porque, segundo o entendimento da Maranata, pronunciar tais nomes seria invocá-lo ou mesmo reverenciá-lo. De maneira que é determinado aos membros que somente devem se referir ao diabo exclusivamente com as palavras do português: “o Inimigo” ou “o Adversário”.

1.4. Esporte e Lazer

Os Esportes e Lazer não são algo naturalmente aceito pela Maranata, antes são vistos como algo inclinável à própria libertinagem. Praticar atividades como musculação, trilha, ciclismo, corrida, triátlon, natação e ginástica são rigorosamente reprováveis pelo sistema religioso, pois, além de ser algo irreverente, estaria o crente gastando tempo com coisas desnecessárias, em vez de estar orando ou trabalhando na igreja. Alguns raríssimos ministérios, isoladamente não chegam a cercear tais lazeres, mas também não vê com bons olhos, mas sem farisaicamente acusar como “desacertado”, “libertino”, “mundano” o praticante, o que é praxe em ministérios mais fiéis aos valores do sistema. Já esportes ditos radicais (surfe, skate, patins, kitesurf) e de contato (karatê, jiu-jitsu, judô etc.) são expressamente abomináveis. Alegam que pelo fato dos praticantes possuírem posturas irreverentes e por serem esportes “mundanos” e “imorais”, logo, não condiz que um “servo” adote tal atividade. Inclusive, profissionais e competidores (até bem sucedidos) desses ramos que passam a se efetivar na Maranata são, jeitosamente, encorajados e induzidos a abandonarem-nos, caso queiram almejar alguma função eclesiástica – sempre sob o subterfúgio que “o Senhor revelou” ou porque precisa de uma “libertação das coisas do mundo”.

1.5. Artes

As Artes em geral são consideradas como “mundanas”. Cinemas são terminantemente proibidos pela liderança da Maranata, alegam que o ambiente é inapropriado para servos de Deus, e seria como se sentar com escarnecedores, embora, intrigantemente, sobre restaurantes não inclinem para tal conclusão. Teatros, por sua vez, são demonizados duas vezes mais do que os cinemas. Filmes da Disney também são proibidos, desenhos animados, especialmente japoneses, também são reprovados pela liderança. Artes como pintura, esculturas, estátuas são consideradas como “opressão”, “malignos” e “iconolatria”; o mesmo entendimento vale a respeito de literatura secular, como romances, ficção etc. Algumas marcas de produtos escolares, brinquedos, enfim, são também proibidos, pois dizem que são expressões e possuem mensagens subliminares do Inimigo.

1.6. Alimentos e Marcas Seculares

Os Alimentos tradicionais e certas marcas comerciais são proibidos em razão da origem e rótulo do produto. Alimentos provenientes de festas juninas são coibidos pela Maranata, pois alegam que, por serem oriundos de uma festa regionalista de origem idólatra, ingerí-los seria cometer pecado e poderia trazer uma maldição para a vida do crente. O mesmo entendimento é sobre os ovos de chocolate em função do período da “páscoa” (mas outros produtos de chocolate que não sejam referentes ao “coelho da páscoa” são liberados para a ingestão). Ovos da páscoa ou chocolates em forma de coelho se forem ingeridos pelos membros, podem lhes trazer juízos por parte de Deus, pois comeram algo proveniente de uma idolatria ao “coelho da páscoa”, de uma festa pagã. Bem como, produtos comerciais que fazem referência ao “Papai Noel” também são expressamente proibidos. Também, a maionese hellmann’s (devido à equivocada tradução do nome) é um tempero do diabo para oprimir os “servos da Obra” – justifica-se.

2. Liturgia

A Liturgia da Maranata obedece aos mais severos detalhes estabelecidos pelo Presbitério. O Ritualismo é afetado e exagerado entre os adeptos, apegados obstinadamente aos pormenores das cerimônias, como que se elas, em si mesmas, tivessem poder para provocar a atenção de Deus ou que a operação Deus estivesse fundamentalmente condicionada aos protocolos dos rituais. O “bitolamento” dos membros é tão nervoso que acreditam que, se preciso for executar um esforço hercúleo, descomunal, até desumano para fidelizar-se junto aos protocolos do ritual, Deus se agradaria do zelo do servo. Os Cultos são rigorosamente cronometrados em 30 minutos, salvo algumas exceções que por vezes tolera-se para 45 minutos, quando é o próprio pastor que ministra a palavra. Os cultos ocorrem nos templos todos os dias da semana, exceção de sexta-feira, dia destinado necessariamente para a realização do “Culto no lar” (ou “da família”). Além dos cultos convencionais (19h:30min), há também, todos os dias, os cultos do início da manhã (06h:00min), intitulados de “Madrugada”, e os “Cultos do Meio-dia”, dos quais ambas exceções são em dia de domingo. Ensina-se que toda essa jornada diária fora revelada pelo Senhor, sob a justificativa de que assim como devemos nos alimentar diariamente, também, de tal modo devemos nos alimentar espiritualmente.

A brevidade dos cultos convencionais é justificada também por revelação divina. Por causa dessa prática, é muito comum os membros exaltarem a si mesmos desfazendo das demais Instituições, como se elas não fossem comprometidas, por causa de seus cultos semanais e duradouros. A liturgia dos cultos deve seguir piamente o padrão determinado por “revelação do Senhor”: “Clamor” de no máximo 20 segundos, entoação de 04 ou 05 louvores (com duas ou mais intercalações para orações de glorificação); posteriormente, a mensagem de 15 a 20 minutos, no máximo. Assim também são os cultos da família (sexta-feira), que, não obstante o âmbito mais informal que é o lar familiar, o culto deve seguir fundamentalmente o arquétipo litúrgico pré-estabelecido, porém, reduzido para 02 ou 03 louvores (uma glorificação e uma intercessão) e uma mensagem de 05 minutos ou leitura de um versículo. Bater palmas, gritos de júbilo e louvar de pé são terminantemente proibidos, sob pena do adorador ser advertido ou, a depender da insistência, convidado a se retirar do local, pois afirmam que é carnal, irreverente e libertino tais expressões de louvor: “é coisa de “movimento”, da “religião”, que quer trazer o mundo para dentro da Obra”, ensina-se. Os cultos se processam com extremo formalismo e reverência, e de um metodismo plastificado, repetitivo e tedioso.

3. Sacralização de Bens e Patrimônios

É parte da teologia da Maranata a espiritualização e sacralização de bens e patrimônios que compõe a Instituição e o seu sistema religioso, o que, naturalmente, perfaz em idolatria. Tal ensino é reforçado a toda intensidade, condicionando os adeptos a um zelo desmedido a objetos e edifícios, venerando-os como sagrados, e separados por Deus para compor a “Obra do Espírito Santo”. São dignificados com reverências, honras e estimas, inclusive é estimulado a eles até mesmo amor – quando a liderança discursa nas convocações para mutirões de limpeza, por exemplo, em relação ao “manaaim”. Muito embora a Idolatria seja vigorosa, é muito sutil e imperceptível entre eles, os membros, uma vez que a demonstração de “afeto” a tais objetos, segundo a teologia do sistema, expressa, na verdade, edificação espiritual – uma vida em obediência à “Obra do Senhor”, reputando o adepto como um “valente da Obra” ou uma “serva valorosa”.

A veneração a tais bens é tamanha que, se preciso for, até a própria vida (espiritual, profissional, sentimental e estudantil) do próximo deve ser sobrepujada para os adeptos atenderem os mimos de tais patrimônios da “Obra” – pois “pagando tal preço” Deus os recompensaria com bênçãos materiais, estudantis, físicas, profissionais e matrimoniais. Segundo a Maranata, toda a arquitetura desenhada, assim como a estrutura planejada, até mesmo a mobília padronizada e os locais onde são erguidos, enfim, tudo é necessariamente dito como proveniente de revelação divina, inclusive, tudo devidamente testificado pela “consulta”.

3.1. Púlpito

O Púlpito é sacralizado de um modo tal que só pode ser utilizado por homens devidamente ordenados em cargos eclesiásticos. A exceção é feita a “obreiros” que já foram no passado divorciados ou separados, não obstante sua posterior conversão em nova criatura e ter contraído um novo casamento debaixo da bênção divina. Ou seja, o obreiro por portar uma “marca do passado” não pode subir a púlpito, exceto alguns casos, que é permitido apenas a “ministração de louvores”. Às mulheres, quando pregam em “culto de senhoras”, é obrigatório que a “serva da mensagem” fique ao lado ou defronte do púlpito, sem jamais ministrar sobre ele, assim, deixando-o, ali, vazio. Frisa-se, também, que ao iniciar o culto, recitando o devido “clamor”, é decretado que todos estejam prostrados em direção ao púlpito, logo, sendo proibido que adeptos se prostrem de costas a ele.

Ainda que ninguém esteja sobre púlpito, no caso, em “cultos de senhoras”, é determinado que até mesmo a “senhora linha de frente” que ministra a palavra, deve ajoelhar-se voltada ao púlpito que está solitário, ficando ela de costas para os ouvintes. A teologia da Maranata ensina que dá as costas ao púlpito, como fazem crentes de algumas outras Instituições, é desrespeitar a própria pessoa do Espírito Santo, pois que supostamente estaria ali, sobre o púlpito, porque ele representaria o altar de Deus e o local onde o Espírito Santo usa o “servo do louvor” e “da mensagem”. Ensina-se também que o desenho padronizado do púlpito foi uma “revelação de Deus” ao Presbitério.

3.2. Arranjo de Flores

O Arranjo de Flores sobre o púlpito é radicalmente obrigatório para o processamento dos cultos. Até reuniões ou aulas nos templos e auditórios devem ter o seu devido arranjo. Deve ser ordenado imutavelmente com flores ou rosas naturais, sob a justificativa de não desagradar a Deus, proibido, assim, o uso das flores ou rosas artificiais. Bem como é terminantemente proibida qualquer pessoa da igreja tocar no arranjo de flores, pois, segundo eles, é uma tarefa revelada pelo próprio Deus para que somente determinadas senhoras da igreja – “consagradas pelo Senhor para esse serviço” – possam tocá-lo, ordená-lo, prepará-lo, pô-lo e retirá-lo do púlpito. O mesmo vale para a toalha que fica sobre o púlpito, que também recebe toda essa reverência. Na teologia da Maranata, reputa como algo sacrílego um varão, mesmo o pastor, tocar no “consagrado” arranjo de flores, a não ser que sejam essas “consagradas” senhoras.

Antes ou depois do culto, por exemplo, aguarda-se a chegada das “senhoras consagradas” para que elas, finalmente, possam retirá-los, ajeitá-los, consertá-los, carregá-los ou guardá-los, enquanto os varões, observando, não podendo tocar no arranjo, dada a tamanha fidelidade e zelo à “Obra Revelada”. Tipificam o Arranjo de Flores como um objeto “consagrado para ofertar a Deus”: é considerado como o tipo do Espírito Santo, cujas rosas ou flores representariam os dons espirituais, por isso de sua obrigatoriedade sobre os púlpitos, para abençoar os ministros do louvor e da palavra. Ante tal revelação exclusiva do arranjo, é comum alguns membros da Maranata depreciarem a espiritualidade de outras Instituições por não conhecerem o “segredo” do arranjo sobre o púlpito.

3.3. Templos

Os Templos segue um padrão arquitetônico particular e são considerados e espiritualizados como a “Casa de Deus”, como no judaísmo e no catolicismo, por isso devem os membros demonstrar todo amor, cuidado, apreço e zelo por ele; com efeito, se portando com extrema reverência e seriedade para não cometer nenhum sacrilégio; até mesmo quando não estiver havendo atividades neles. Uma vez dentro dos templos, em regra, não podem demonstrar alegria, descontração, irreverência e espontaneidade, mas o comportamento deve ser formal, calculista, solene e reverente em respeito ao lugar que é reputado como santo – ensina a Maranata. Sobre a arquitetura dos templos padrões, em forma de chalés bucólicos, embora desenhados pelo arquiteto capixaba Raphael Samu que, diga-se de passagem, é cunhado do Presidente da Maranata, alega-se, no entanto, que o desenho padrão fora devido a uma “revelação do Senhor” ao Presbitério, da mesma forma como fora a revelação do Altíssimo a Moisés sobre o Tabernáculo e a Davi sobre o Templo, respectivamente, na Antiga Aliança.

3.4. Maanains

Os “Maanains” são sítios onde membros se isolam da civilização para receberem doutrinamento, são estimados como lugares separados por Deus aqui na Terra para o adorarem. É considerado como “um pedacinho da eternidade”, “onde a Obra tem mais alcance” e “onde Deus fala de forma especial” – clichê de membros. “Subir ao maanaim” (outro jargão) é o modo como se referem a ir aos sítios da Maranata, dada a representatividade sacra e espiritual do local. Ressalte-se que por serem tão “sagrados”, a rigor, é proibido a entrada de pessoas inadequadamente mal trajadas ou que não se libertaram das “coisas do mundo” (de acordo com a perspectiva teológica do sistema), a saber: homens vestidos de bermuda (ainda que estejam a trabalho de limpeza e manutenção), barbados ou cabeludos; mulheres de calças compridas ou bermuda etc. Assim como, maltrapilhos, travestis, pessoas que ainda alimentam o tabagismo ou alcoolismo, não podem freqüentar o “santo lugar”.

Todo evento no “maanaim”, seja seminários, batismos ou encontros, é necessário que se cumpra a “orientação” do famigerado “preparo”. Trata-se da prática de jejuns diários, seguindo o horário padronizado – “horário revelado direto da Eternidade”- assim como, a freqüência diária nos cultos da madrugada durante toda a semana que antecede o evento. O membro que descumprir a “orientação” do “preparo” fica impedido, pelo pastor, de “subir” ao maanaim. Frisa-se que embora determine o “preparo” aos membros, aos “amigos da Obra” (políticos, celebridades e pessoas de projeção social) tal “orientação” não é imposta, de modo que eles podem livremente “subir” ao “santo lugar”, do modo que lhes aprouver.

Estimulam o amor a este patrimônio – “devemos amar o maanaim” – por ser um presente de Deus a “Obra” para os membros cuidarem. Trabalhar em mutirões e manutenções do maanaim voluntariamente, ensina a Maranata, é um privilegiado recurso para se alcançar bênçãos de Deus, pois Ele zela pelo “maanaim” e, por isso, satisfeito, recompensa os “varões valentes” em vitórias na vida estudantil, espiritual, financeira e matrimonial. Por ser um lugar “separado por Deus”, alega-se que é muito comum anjos e querubins serem vistos caminhando e sobrevoando por lá, em função da tamanha sacralização do local.

3.5. Consagação de Imóveis e Objetos

A Consagração de imóveis e objetos é uma doutrina ensinada na Maranata, cujo conteúdo consiste em afirmar que Deus retira as supostas “opressões” que estão neles embrenhadas. Imóveis residenciais recém adquiridos pelos membros são os alvos mais comuns dessa doutrina, assim como aqueles destinados a serem templos de uma igreja da Maranata. Quando um adepto da Maranata adquire um novo imóvel é realizado o famigerado “culto de consagração do local” para que toda espécie de opressão saia do ambiente e que o adepto/família possa residir de forma traquila e pacífica. Em relação a objetos, “consagram” aqueles que são adquiridos e doados à Instituição Maranata. Instrumentos musicais são os alvos dessa doutrina comumente, uma vez que são destinados para cultos, é imperioso que recebam orações, com imposições de mãos do pastor (inclusive), para que sejam consagrados. Instrumentos, porém, doados advindo de bandas de rock ou que foram utilizados para fins musicais libertinos, são peremptoriamente rechaçados pela liderança, por estarem “carregados de opressão” – justifica-se.

4. Evangelismo

O Evangelismo da Maranata é realizado de forma bem diferente do que comumente se observa em outras comunidades cristãs. É ensinado, em tese, que missões evangélicas não são algo necessário para a “Obra”, antes tal intento é considerado nada louvável ou positivo, senão é atribuído como algo “fora da revelação” ou “obra da religião”. Não obstante a Palavra de Deus prescrever o “ide”, alega-se, porém, que não precisa o Presbitério custear viagens de missionários a locais inacessíveis ou humildes que ainda não conheceram o Evangelho, visto que Deus revelara à Maranata um especial privilégio de que seria o próprio Espírito Santo que convenceria e traria os verdadeiros fiéis à “Obra”, enquanto os membros só deveriam se comprometer em estar diariamente nos cultos.

Entretanto, tal ensino não tem lá o seu cumprimento absoluto, uma vez que só contempla as pessoas dos pastores, ungidos, diáconos e senhoras linha de frente, que ficam isentos dessa prescrição bíblica. De modo que a responsabilidade da “evangelização” é repassada exclusivamente para as mãos dos jovens da igreja, os quais são mensalmente cobrados pela liderança local a firmarem compromissos nos finais de semana, mormente à tarde, para saírem distribuindo convites no bairro e nas redondezas da igreja. Normalmente a “evangelização” se faz em todos os finais de semana livres, ou seja, quando os jovens não estão nos seminários, ou não estão nos ensaios de louvores, ou não estão nos mutirões de limpeza. O conteúdo desse evangelismo não é necessariamente apresentar a Palavra de Deus, senão é apenas uma expressão proselitista e uma ação fria e artificial  em que os jovens seguem a cartilha daquilo que os pastores lhes mandam dizer, que, na verdade, seria falar das ditas virtudes da Maranata, da brevidade litúrgica, da qualidade dos louvores, de sua política do dízimo, e que Deus opera lá de forma especial.

4.1. Obra no Exterior

Outra incoerência desse evangelismo é que a prioridade da Maranata não são as regiões inacessíveis e humildes do Brasil onde ainda há incredulidade, mas sim fazer a “Obra no Exterior”. Ocorre que a Maranata está interessada em realizar intercâmbios com igrejas necessariamente pentecostais de países do leste europeu, da antiga União Soviética, assim como algumas da África e América Central, tentando implantar os valores e dogmas de sua particular teologia no estrangeiro e, principalmente, apoiando-as financeiramente. Não se sabe qual a implicação prática desse trabalho para a propagação do Evangelho, uma vez que a Palavra do Senhor, antes da Maranata, já iniciara sua disseminação nesses países. No entanto, a Maranata vem, de fato, estabelecendo-se templos na América Central, África e Europa, timidamente. É comum, em seminários, a liderança apresentar aos presentes os líderes religiosos dessas igrejas, que vêem ao Brasil visitar a fim de testemunhar as operações de Deus nessas localidades. O intrigante, porém, é que a Maranata, para efetivar a “Obra no exterior”, tolera se envolver com outras igrejas cristãs, até de usos e costumes contrários, contudo não comunga com igrejas cristãs aqui do Brasil, mesmo que elas sejam notoriamente comprometidas com a Palavra de Deus.

5. Caridade

A Caridade é ensinada na Maranata como algo desnecessário e indiferente para a vida prática cristã, pois não teria aplicabilidade e valor nenhum para a espiritualidade do crente; e afirma-se que uma vez que a salvação não se alcança pela prática de obras sociais, o crente só precisa se concentrar, egocentricamente, nos deveres diários do sistema religioso. A fim de desestimular os adeptos à caridade aos necessitados, pejorativamente, a liderança denomina as ações dessa natureza, realizadas por outras expressões religiosas, como “evangelho social”. Explica-se que tais atos só são realizados porque “a religião” não está preocupada em falar da Salvação e a Volta de Jesus, mas somente intencionada em pregar o materialismo e os interesses dessa vida, cativando as pessoas pela filantropia. Alguns ministérios, porém, timidamente realizam a caridade, contudo somente favorecendo algum membro específico da igreja local que padece necessidade; ao passo que mendigos ou necessitados que não fazem parte do seleto corpo de membros da Maranata, são geralmente rejeitados na porta do templo, proibidos, inclusive, de adentrar nas dependências da Instituição, alegando-lhes, como contumaz, que ali não pode entrar pessoas “oprimidas” e não é local para “encher barriga”, senão a alma das pessoas. É comum eles recorrerem ao episódio de João, Pedro e o coxo na porta do templo para embasar esse ensino.

6. “Assistência”

A “Assistência” é a famigerada prática dos adeptos da Maranata de assistir de forma insistente e muitas das vezes artificial, inconveniente e pegajosa os visitantes da igreja. Alimentados pelas cobranças da liderança em assistir os visitantes, os adeptos, às vezes sem refletirem, passam a agir impulsivamente de forma quase que inoportuna e sufocante junto aos visitantes, idealizando a situação de forma muito romântica e simplista, achando que quanto mais pegajoso o contato for, mais amável, zeloso, espiritual e fiel ao Senhor o adepto será. Na verdade, percebe-se que esse “bombardeio de amor” soa muito mais como um interesse escuso em o adepto buscar aprovação do pastor e dos membros, por ter “assistido na revelação” o visitante, do que interesse real e puro em apresentar o Evangelho do Senhor ao visitante. Afinal, observa-se, que em tais “assistências” falam muito mais das supostas qualidades da Maranata na pretensão de convencer o visitante a filiar-se na Instituição do que o interesse genuíno de apresentar os valores apregoados por Jesus.

A visita do candidato é inundada por lisonja e pretensa amizade, para produzir o sentimento que o grupo preencherá muitas das suas necessidades e desejos. Imediatamente, o visitante se sente popular, aceito e amado. Afinal de contas, quem não gostaria de ser assim? Em sua condição frágil, o visitante é coberto superficialmente de muita atenção e reconhecimento – onde eles lhe dizem como ele é nobre, privilegiado, escolhido por Deus por fazer parte da “Obra” – Igreja Maranata. O bombardeio de amor funciona como a isca que esconde o anzol para que o peixe não desconfie. Como se imaginar, este tipo de estratagema é muito efetivo para cooptar pessoas solitárias, carentes de aceitação social, desestruturadas emocionalmente ou atribuladas na vida.

7. Maledicência e Julgamentos

A Maledicência e o Juízo Temerário são praxe. São demasiados sobre aqueles que abandonam a Maranata, pois na sua concepção teológica não há ninguém que “saia da Obra” de forma nobre, honesta e fiel a Deus, senão, acredita-se e assim ensina-se, que sempre são pessoas que estão, seguramente, em busca de libertinagem e mundanismo nas igrejas, cujo destino é a morte espiritual e a perda da salvação. É comum, também, quando os membros participam de reuniões fechadas e seminários, em aulas de doutrinamento, sobretudo quando escondidos nos “maanains”, os dissidentes têm sua imagem desmoralizada e são taxados de “caídos”, “vadios”, “pedófilos”, “alcoólatras”, “prostitutos”, “porcos”, “roubadores de dízimos”, “defuntos”, “bodes”, “adúlteros”, “perderam a Salvação” e “foram para a religião” etc.

Os que refutam as doutrinas da Maranata, por sua vez, recebem a acusação de “apóstatas”, “hereges”, “serpentes da internet”, “filhos do diado”, “pastores de si mesmos” etc. Assim como, desenvolve nos corações dos adeptos, à proporção que se convive no sistema, o hábito de aferir e julgar a vida espiritual dos demais de modo superficial e simplista, pela simples observação da utilidade e adaptação do crente junto ao particular sistema eclesiástico da Maranata. Seja sobre pessoas filiadas ou não na Maranata, os adeptos passam naturalmente a julgar o próximo, avaliar o seu nível de espiritualidade, através daquilo que é meramente exterior, como o uso de certas peças roupas, a adoção de barba ou não, a presença em atividades na igreja, o tamanho do cabelo, a freqüência de bênçãos materiais e profissionais adquiridas, enfim, uma mera análise dessas questões, para adepto já o capacita de sentenciar temerariamente o nível da espiritualidade alheia.

“Já que vocês morreram com Cristo para os princípios elementares deste mundo, por que é que vocês, então, como se ainda pertencessem a ele, se submetem a regras: “Não manuseie!” “Não prove!” “Não toque!” ? Todas essas coisas estão destinadas a perecer pelo uso, pois se baseiam em mandamentos e ensinos humanos.

Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne.” Colossenses 2:20-23

comentários
  1. as disse:

    Tudo que voces tem falado o Senhor ira cobrar de cada um… O Senhor nunca pesa a mão, nunca destrui o homen e nao discrimina sua igreja… Mas ele trata com cada um… Se voce montou este site é porque voce vivenciou esta obra do espirito santo. Não se esqueça das promessas que o Senhor lhe falou… apds

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s