Sobre uma Nova Vida Cristã Independente do Sistema Maranata

De fato, sentimos perdidos e inseguros quando saímos das rédeas da Maranata. Muitos de nós tínhamos medo de sair. Medo das pragas e maldições. Medo de perder a Salvação. Medo de sermosa cometidos de doenças. Medo de sermos atropelados. Afinal, tínhamos nos ouvidos os ecos dos berros das aulas terroristas dos seminários, na mente reverberando os trejeitos e gestos agressivos dos “professores”. Mas quando entendemos que não dependíamos de uma “muleta” para nos sustentar, de um sistema religioso, nos doamos por completo ao Espírito Santo de modo a nos edificar com coisas maravilhosas. Na confiança no Senhor, na leitura intensa das Escrituras, sabendo que o amor de Deus não está sujeito nem a latitude, nem a longitude, nem a altura, nem a profundidade, nem a principados e potestades, nossos olhos foram desvendados e passamos a ver aquilo que não víamos, com as lentes da Verdade, iluminadas e transparentes.

Não precisávamos mais de cadastros e fichas, precisávamos ser arrebanhados pelo Senhor. Não precisávamos mais de correntes e coleiras, precisávamos ser desatados pelo Senhor e cultivar o desejo de amá-Lo e testemunhá-Lo. Não precisávamos mais de “fórmulas” e “receitas” religiosas, precisávamos de singeleza e ternura para nos preenchermos da fé no Espírito Santo. Não precisávamos mais de julgadores rabugentos e bisbilhoteiros, precisávamos confiar em nós mesmos em função do amor do Senhor Jesus. Não precisávamos mais de culpa e medo, senão de liberdade e vida. Não precisávamos mais de alcançar méritos religiosos, senão reconhecer o amor que Deus tem por nós e por Ele e para Ele vivê-Lo. Não precisávamos mais de gente que decide por nós, mas de fé e sabedoria na pessoa de Jesus.

Verdadeiramente, estamos muito mais felizes do que éramos na Maranata (se é que éramos). Descobrimos o quanto éramos ignorantes e quão ingênuos fomos em acreditarmos em vocês. Vocês não sabem o que é viver na dependência real e íntima do Espírito Santo. Acham que ser espiritual é ficar enclausurado e acorrentado em uma rotina “claustrofobiante” e tediosa de atividades religiosas que não tem implicação prática nenhuma para a vida espiritual, mas apenas um “faz de conta” religioso, falso moralista e demagogicamente piedoso e ascético para “inglês ver”, para poder manter o sistema religioso. Aprendemos que a vida cristã é realizada de ações e atitudes como o Senhor Jesus, e não esse simplismo metódico de seguir protocolos e “bater ponto” em reuniões secas, vazias e sem conteúdo, altamente repetitivas e sem originalidade. Aprendemos novos valores. Valores focalizados no próximo, na vida e no amor – no relacionamento cristão. Valores que se preocupam construir uma vida bonita aqui, na preparação da nossa Salvação.

Como é bom congregar com irmãos que são comprometidos com a Palavra. Como é bom viver na presença de irmãos que não vivem em função de caprichos e obrigações de Instituição religiosa. Irmãos libertos do afã da culpa de buscar aprovação, cheios de identidade e de características pessoais, vivendo com toda naturalidade e espontaneidade de serem eles mesmos, sem esconderem aquilo que eles são: do que gostam de ler, de assistir, de passear, de praticar, sem se preocupar com julgamentos e olhares mesquinhos de religiosos frustrados e amargurados com sua vida azeda e maçante. Definitivamente, a felicidade cristã bateu em nossa porta!

Como é bom descobrir que uma vida em Cristo não precisa daquele ambiente carregado de acidez e tédio religioso. Como é bom saborear o Evangelho e entender que devemos ser apenas nós mesmos, com nossa identidade, mas firmes na santificação em Cristo, e não nessa superficialidade de viver um personagem estereotipado, no meio de gente artificial, carrancuda, “maquiada” e robótica. Senão de liberdade, autenticidade e espontaneidade de ser você mesmo, com sua identidade própria, liberto tanto dos extremos da libertinagem quanto da religiosidade, mas firme na moderação da pureza do Evangelho. Como é maravilhoso viver uma vida cristã primariamente voltada ao relacionamento com o próximo, e não uma vida falsamente cristã irrequieta com compromissos burocratas e farisaicos.

Aprendemos o significado de liberdade em Cristo. Liberdade para viver a vida de forma apaixonante. Vida que o Senhor nos deu, e nos remiu para estarmos firmes em sua presença, livres da culpa, do medo, da inferioridade, do pecado, dos valores sociais e religiosos, mas preenchidos da amizade, da ternura, da alegria, da compreensão, da paciência, do respeito, da santidade, dos valores do Evangelho, do Espírito Santo.

Realmente, descobrimos que há vida fora da Maranata, vida em Cristo, santa e feliz. Porque há, sim, ainda várias Igrejas comprometidas com a Palavra, discretas, modestas, nada famosas, mas concentradas em apenas viver o Evangelho. Há, sim, vida em abundância na presença íntima com o Senhor Jesus. Seja em outras Instituições ou em grupos adenominacionais, estamos congregando em igrejas que levam a Palavra de Deus a sério, sem invencionices, sem ostentação, sem exibicionismo religioso, sem competição por méritos e reconhecimentos religiosos, sem aferir valores exteriores e de vaidade. Seguramente, porém, sabemos que elas possuem falhas, erros, mas que, diferente de vocês, permitem serem corrigidas, pois sabem ouvir e sabem que não são perfeitas, do que disso gera arrependimento e evolução espiritual. Em todo e qualquer lugar, há uma igreja dessas. Basta se dispor e confiar no Senhor que cedo ou tarde vocês encontrarão. É só saber onde, como e porque procurá-las.

Bem que vocês poderiam ser assim. Mas se apaixonaram pelos prazeres e conveniências da vida fácil, decorrente do poder das Instituições religiosas. Resolveram cirandar e tocar tambor ao redor delas, em funções de suas necessidades enquanto empresa, e esqueceram de focar no próximo, no ser humano,  rejeitaram aquilo que é valorizado pelo Evangelho. Aboliram os atributos de Jesus, os quais viraram apenas acessórios e pretextos para o principal – manter e expandir a Instituição Maranata.

É nisso que dá deixar-se engaiolar por um sistema. A instituição acaba por se tornar o fundamento, a fonte, o porto seguro. Criou-se uma espécie de maranata-dependência. Vocês passaram a ter mais fé no sistema religioso da Maranata que apresentava Deus, do que a fé no próprio Deus. Por isso muitos não conseguem deixar “essa Obra” mesmo conscientes dos erros e heresias. Por que a sua fé não está arraigada essencialmente em Jesus, mas no sistema da Maranata – “A Obra” – que pretensamente se julga o “veículo” para levar a Jesus. Conhecemos vários que estão nessa situação. Preferem se acomodar numa falsa segurança a exercitar a fé e depender unicamente de Cristo. O problema é que um fundamento que não é o Cristo está fadado à ruína, à queda, ao fracasso. E todos os que nele estão firmados têm o mesmo fim.

Desejaram muito a Deus, mas faltaram se esvaziar. A humildade para entender que, ainda que o sistema eclesiástico de vocês fosse o melhor, mesmo assim, era necessário ter dentro de vocês o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus.

Lamentamos por vocês, mas sabemos que mesmo no meio de tudo isso, já há pessoas que pensam diferente na forma de proceder. Esperamos, de todo coração, que vocês voltem ao primeiro amor – ao próximo e ao Senhor, acima de  tudo. Que Cristo Jesus seja a única Rocha, o único fundamento. Apenas nEle estamos seguros. O que vocês acham que têm não é nada diante do que vocês podem ser nas mãos de Cristo.

Bastam querer.

“Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado. Tiago 4:17

Ainda há tempo.

“Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo. Porque, se alguém for pregar-vos outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, com razão o sofrereis.” 2 Coríntios 11:3

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