Sobre o Elitismo Religioso e Sistema Socialite

O que era ardente desejo de obediência a Deus no princípio, na medida em que desenvolvia a vaidade e a presunção eugênica em seus corações, passou a gerar o fanatismo religioso. O que era voluntário, por ação do Espírito Santo, o processo de transformação em nova criatura, passou a ser à força, impondo costumes e regras de aparência na pretensão de nos emoldurar de acordo com as perspectivas exteriores que vocês diziam ser as “verdadeiras” e que fossem satisfatórias para o status sócio-religioso da Maranata. Ensoberbecidos, se achando árbitros da Verdade, quiserem fabricar crentes de acordo com seus estereótipos religiosos (opiniões da liderança), de sorte a sufocar a atuação íntima e pura do Espírito de Deus nas nossas vidas. Vocês não viam o ser humano, como ser humano, mas sim, friamente, como uma simples ferramenta conveniente para os propósitos de uma empresa religiosa super competitiva. Tratava-nos como meras coisas, bens de sua propriedade, peças descartáveis (desconsiderando nossos sentimentos, fraquezas, limitações, obrigações estudantis, matrimoniais e profissionais, prejudicando-os) para satisfazer as necessidades do sistema religioso de vocês.

Parece que o “Senhor” que servíamos era um senhor feudal que só visava o crescimento, manutenção da Maranata, e nós éramos apenas oportunas ferramentas para ninar essa “menina dos olhos”. O foco deixou de ser o ser humano, para qual o Senhor se crucificou, e passou a ser o sistema religioso da Maranata, a famigerada “Obra”.

À proporção que o tempo passava, à medida que vocês cultivavam essa idolatria à Maranata (a seus valores e práticas religiosas duvidosas), acabaram permitindo que a frivolidade do mundo deixasse vazar para dentro da igreja; de modo que passaram a se alimentar de valores ocos, de vaidades bobas, estimando coisas pequenas e mesquinhas. Deixaram esse tipo de coisa vazar para dentro Igreja, transformando a família do Senhor, por exemplo, num clube de desfile de moda, no qual mulheres se produziam mais do que devido, ostentando vestidos custosos, futilmente, e homens que faziam questão de um dia “estar obreiro” (terno e gravata) só para poderem, finalmente, se afirmar para os outros, nos púlpitos, saciando o ego, em tentativa de evidenciar uma espiritualidade superior. As pessoas passavam a ser dedicadas aos propósitos da Instituição não só exclusivamente por quererem servir a Deus com afinco, mas, verdadeiramente, dividindo esse ânimo no coração com vaidades religiosas para se projetar na instituição como “o que tem a função tal e tal”. Criaram uma igreja que se alimentava dessas frivolidades, desses valores rasos, dessa estima por evidência, cargos e aparências, os que para Reino de Deus são ocos, absolutamente inúteis e desprezíveis.   

Conforme reforçavam a obrigação de os membros ostentarem esse demagógico formalismo, permitiram que a badalação passasse a ser desenvolvida no sistema. Possibilitaram que a igreja se alimentasse desse tipo de superficialidade que se assemelha muito mais com os ambientes do Poder Político e Judiciário, do que com o caráter de família, amor, educação, moderação e alegria de uma real Igreja de Deus. Em vez disso, criaram um ambiente de clima de “tapinhas nos ombros”, de “rasgação de ceda”, de “jogar confete um nos outros”, de “poses, caras e bocas”, de “sair bem na fotografia”, de “busca pelos primeiros lugares”, de guerrinhas de ego e dor de cotovelo, de ser saudado pelos outros pelo título de “pastor”, “ungido”, “obreiro”, “diácono”, enfim, um ambiente que não era verdadeiro, que não era sincero; um ambiente de glamour religioso. 

Vocês quando deram a luz a um sistema religioso que valorizava esse tipo de vaidade, era lógico que, aos olhos do mundo, a Maranata poderia apresentar autoridade, fineza, elegância, formalidade; porque são tais “atributos” que o mundo tem como sinônimo de compromisso e seriedade. No entanto, isso não tem nada a ver com os valores do Reino de Deus, pois o olhar de Deus está sob o necessitado, sob o quebrantado de alma, sob o humilde de coração e simples de sentimentos, sob aquele que seu coração está abundante de amor, justiça, sinceridade, bondade, pureza, vida e sensibilidade para com Deus e o próximo. Independente das aparências. A verdadeira espiritualidade não é essa da badalação, mas aquela baseada na singeleza, humanidade, naturalidade e espontaneidade de uma criança, como Jesus foi e é, e assim também ensinou.

A verdadeira espiritualidade não é essa que procura evidenciar o seu “cacife espiritual” por roupas de gala e da fina costura, poses viris, movimentos elegantes e calculados, rostos sisudos, um português castiço e pregação carregada de arranjos de versículos bíblicos, mas aquela que é humilde, simples que procura valorizar o próximo, a vida, a justiça, a honestidade, a honra, a caridade, a sinceridade, a verdade, tudo feito de forma equilibrada, natural, com identidade, sem arroubos e emoções. A verdadeira inspiração do Espírito Santo é aquela que valoriza a vida do ser humano acima de qualquer capricho e futilidade de regras e normas de Instituição religiosa. Ora, será possível que a lição que Jesus nos legou quando priorizou a vida, a justiça, o amor (o segundo mandamento de Deus) acima do sábado, deixando os religiosos furiosos por “desobedecer” a “revelação” da lei, não ecoou nos ouvidos de vocês?

Essa pseudo fidelidade a Deus (severidade intolerante e mesquinha a regrinhas, formalismos, ritualismos, usos e costumes) só serve para lustrar os seus próprios mecanismos religiosos – “isso pode”, “isso não pode”, “isso deve”, “isso não deve”… O Cristianismo não anda por vista, palavras e aparências, mas por consciência, sentimento e ânimo verdadeiro. Essa espiritualidade “chique” não tem nada a ver com Deus, mas tem a ver em se amostrar para próximo. Temos que entender: Tudo que fizermos que priorize a vida, a justiça, o bem, a verdade, o amor ao próximo, é aceito por Deus. O real servo de Deus é aquele que rompe com valores e costumes mundanos (e, também, religiosos) para favorecer a vida, a retidão, a verdade, a justiça, o amor.

O verdadeiro cristão não é aquele que tem que descobrir os meandros ocultos da teologia ou da “revelação além da letra” para dizer que ele está certo e o outro errado. Deus não se atenta a esse “blá-blá-blá” teológico, de espiritualidade de sabichão amostrado, nem repara em títulos eclesiásticos, tampouco a valores exteriores, de aparência. O verdadeiro ambiente de Deus é aquele que quando nele adentramos não temos aquela sensação de artificialidade, de algo sem naturalidade, d e algo carregado de formalismos, de pesado ar da severidade, do juízo, mas aquele que quando achegamos, respiramos que tudo é feito de forma natural, espontânea, livre, pura e bonita, sem imposições, sem cobranças, vivendo a retidão do Evangelho não por medo ou vaidades pessoais, mas por amor e gratidão a Deus.

É vergonhosa essa necessidade de querer se evidenciar, de se auto-afirmar como espiritual através de ações, poses ou até mesmo de reparar, julgar e apontar erros e pecados em tudo e todos, a fim de se afirmar em detrimento do outrem, o que não passa de uma constatação indelével que os valores do mundo adentraram na sua religião, em seus corações. “Somos os ungidos de Deus”, “Somos a Obra da última hora”, “Temos a revelação do Livro de Cantares”, “Não há Obra como essa”, “Nós temos a revelação última”, “Não há tempo para outra Obra”, “Tudo que fazermos, fazemos por revelação do Santo Espírito. Nada é do homem!”,“Só nós conhecemos o segredos do clamor!” Quanta meninice! Francamente. Parem com isso! Diminuam! Vocês não são nada! Essa gabolice idiota e farisaica está destruindo a vida de vocês e o pior é que estão recrutando as pessoas a ficarem três vezes pior do que vocês. Por razão desses valores do mundo, inevitavelmente gerou um clima de competição e disputa de “quem é mais quem”, de ciúmes entre obreiros, pastores, professoras, instrumentistas, senhoras etc.

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