Sobre Marketing e Ego Religioso

Entretanto, temos que confessar que em certos pontos sobre as demais Instituições vocês estavam corretos – muitas, de fato, estão entregues aos prazeres e tesouros desse mundo; porém, em outros pontos, bastante irresponsáveis e tendenciosos vocês foram. Generalizaram. Subjetivaram. Colocaram todas as igrejas no mesmo bojo e as reputaram como “religião” e “obras de homens que nos levam à morte e a sepultura”. Ao passo que, deixavam subtendidos nas entrelinhas de seus discursos, que só a Maranata era a única ou a mais avançada e evoluída Instituição Religiosa em matéria de “Obra”, que tinha “entendimento de Obra”, pois vivia a “Obra como forma de vida”, emendando os discursos sobre as mazelas religiosas com exaltações às práticas da Maranata. 

De fato, há muitos lugares sem seriedade nenhuma com a Palavra de Deus. De fato, há muitas músicas ditas cristãs, que não trazem edificação alguma, mas somente voltadas ao apelo emocional e ao comércio da fé. De fato, há uma enormidade de aproveitadores de rebanhos ditos “conferencistas” ou “avivalistas” que não falam nada com nada e que ainda cobram cifras astronômicas para ministrarem uma palavra. Concordamos. Aliás, não é novidade. E nunca foi. Ora, não era assim também nos tempos de Jesus e da Igreja Primitiva – idos em que havia numerosa quantidade de falsos mestres e mercadejadores da fé, combatidos por Paulo e João em suas cartas? Não era assim nos tempos medievais, com a Inquisição Católica? Não era assim no final do século XIX, com os movimentos milenaristas norte-americanos? Vocês não descobriram a pólvora! E mesmo assim ostentavam esse nariz empinado, esse ar presunçoso, como que fossem crentes elitizados, superiores, detentores de “segredos”, portadores da “revelação verdadeira”, batendo no peito e tocando trombeta para si como tivessem “inventado a roda”. Aliás, não é porque vocês apontavam a mazelas dos outros (para se autopromover à custa deles) que necessariamente vocês estariam isentos de estarem adoecidos também.

Não só vocês estavam errados nas suas generalizações desonestas, mas também estavam a respeito de si mesmos. Enquanto ridicularizavam os outros nos seminários, zombavam das práticas religiosas dos demais cristãos, escarneciam do tradicionalismo religioso, caçoavam da irreverência dos pentecostais, tripudiavam das contradições do catolicismo, enfim, enquanto se jactavam em sua “superioridade” espiritual, aplaudindo a si mesmo, inebriados nesse orgulho religioso, se achando a “tropa de elite” de Deus, encontravam-se bastante desatentos em não reparar o tamanho da trave cravada em seus olhos. Afinal, deliberadamente estavam sob a tendência de nos vender um produto religioso que não era verdadeiro, enquanto recorriam do obscurantismo e da censura para alienar e fantasiar a nossa mente com “essa Obra Maravilhosa” cor-de-rosa, idealizada, maquiada, e proposital e marqueteiramente diferente das “obras de homens” (outras Denominações). Mas, espera aí, diferente?

Sabemos que – segundo o que nos passaram nos seminários – a origem da Igreja Maranata, foi pela busca de um ajuntamento de pessoas que queria que os assuntos de Deus fossem tratados com mais seriedade. Sabemos que, em tese, alguns ou todos os precursores queriam uma intimidade com Deus um pouco maior. Não temos dúvidas de que o início de suas jornadas era permeado em alguns os mais sinceros sentimentos de submissão, temor e amor pelo Senhor Jesus Cristo. Sabemos que vocês queriam que, assim como já muitas igrejas em 1968, não houvesse um envolvimento com a política: recebimento de dinheiro de políticos e transformação da igreja em curral eleitoral, numa espécie de fisiologismo “santo” – troca de favores entre políticos e pastores. Sabemos que em certa ocasião, por revelação, cogitação, dedução ou lógica, enfim, falou-se muito da vinha como tipo de Igreja de Cristo, e que, se não tomássemos cuidado, poderia ela ficar repleta de pragas. Sendo dito que o desejo precípuo da liderança, na teoria, era de combater tais pragas nas vinhas. A teoria e as palavras são lindas…

Só que, na tentativa desesperada de não se contaminarem com os modismos pregados pela “mescla”, foram tão radicais em seu rechaço que acabaram mergulhando profundamente no fundamentalismo religioso, cujo destino fora desembocar no sentimento faccioso e extremista. Resultado: desenvolveram um afã narcisista, um espírito sectário, uma fé vaidosa, um zelo religioso demagógico (falso humilde) através da severidade de legalismos, uma espiritualidade afetada de apelos espirituais aflorados e exagerados, formalismo e ritualismo que, por si, não traziam ao crente nenhuma implicação interior na transformação em nova criatura, em valores e em conteúdo, mas só a obstinação em ostentar meros atributos exteriores para se afirmarem perante os outros e de outros ter o que falar em comparação do quanto vocês eram “zelosos” e “superiores” ao obedecer a usos e costumes.

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