Sobre Mandinga ou Superstição Religiosa das Vãs Repetições

E o que dizer do Sangue de Jesus? Virou amuleto! Um mantra religioso repetido de cor para afastar mal olhado e provocar a atenção de Deus, sem o devido recite na oração a Graça de Deus não recai sobre o crente. O Sangue de Jesus – que é um dos nomes em referência figurativa que se dá à condição que Sacrifico do Senhor deu aos crentes, pelo qual fez derramar o Espírito e perdoar os pecados-, foi um atributo discriminado com o poder em si mesmo – apartado de toda a pessoa de Jesus -, para ganhar um status de um amuleto verbal. A “doutrina da Obra” reputara que o efeito da Graça de Deus não estaria mais pela crença em Jesus Salvador, senão sob a condição de recitar uma específica frase (“…o poder do sangue de Jesus…”) descoberta pela Maranata na década de 60, no Brasil. Essa doutrina parece ter lá um sedutor ar de sofisticação espiritual ou um quê de uma doutrina piedosa, mas só parece mesmo; porque nega a essência e o conteúdo do Evangelho do Reino, pois não é mais pela crença no Filho de Deus, em sentimento de arrependimento, que somos perdoados, mas proferindo uma frase que, só assim, efetivará a aspersão do Sangue de Cristo. Deus virou gênio da lâmpada? Cristianismo virou misticismo esotérico, simpatia ou mandinga gospel? É esse o Evangelho que o Senhor Jesus pregou?

Essa doutrina é uma afronta à Mensagem da Cruz. Trata a Graça de Deus (Sangue ou Sacrifício de Cristo) como algo merecível. A Aspersão do Sangue (a Graça de Deus) ficou dependente, refém, do mérito do crente em adquiri-la através do seu falar, desacatando a obra do Senhor Jesus no Calvário. Bem como, a Graça de Deus se tornou relativa, pois se tornou necessário “ofertar” o Cordeiro (recitar a frase) várias vezes para a Aspersão do Sangue acontecer e ser aplicada, como fosse limitada ao tempo e espaço. A Oferta Perfeita, o Cordeiro Eterno, bastou-se uma vez e a Aspersão do Sangue ocorreu para acontecer em constância. Está disposta e já existe, não cessa.

Na Antiga Aliança, os judeus eram perdoados porque criam que Deus os perdoava ao ofertar cordeiros, mas tinha que ser reiteradas vezes porque, no judaísmo, o efeito do sacrifício (derramar do sangue) de animais era perecível em um ano. Na Nova Aliança, os cristãos fora agraciados com o Sacrifício Perfeito, e são perdoados porque o Sangue do Cordeiro Perfeito é Eterno e Absoluto, não cessa, não perece e não acaba, de modo que não precisamos ofertar várias vezes (“clamando pelo seu poder…”), mas apenas crer no Salvador. Agora, vêm vocês e rebaixam o Sangue de Cristo como perecível a cada culto, a cada reunião, ofertando várias e várias vezes para a Graça de Deus ser aplicada, entregando o nome do Senhor ao vitupério.

O Sangue de Jesus (ou, o Sacrifício de Jesus, ou a Graça de Deus, ou a Cruz de Cristo, ou o Holocausto Perfeito, ou a Imolação do Cordeiro Eterno, ou o Derramamento do Espírito Santo etc.) deixou de ser uma condição ao crente e se tornou uma coisa. Deixou de ser a expressão de amor de Deus, a demonstração de Deus a respeito de Sua Graça, a obra do Messias para a propiciação dos pecados, e se tornou um amuleto, um instrumento com poder em si mesmo. A pessoa do Senhor Jesus, como toda, fora fragmentada e ignorada por essa doutrina, de tal sorte que passaram a orar não ao Salvador (em nome de Jesus), não em uma conversa íntima com o nosso Advogado para mostrá-lo os nossos erros – como Ele nos ensinou -, mas agora oraram, segundo fórmulas “secretas”, receitas “reveladas”, “clamando pelo poder do sangue”, e não clamando pelo próprio Senhor Jesus, como pessoa, como amigo, como nosso Advogado, como nosso Salvador, para nos relacionarmos. Aprendemos a orar pelas conseqüências da bênção, mas não para um relacionamento, como todo, com o Abençoador. A bênção ganhou vida e poder próprio, e se tornou maior e mais desejada do que o próprio Abençoador. Uma religiosidade de interesses…

O “clamor pelo sangue de Jesus” não é só uma prática antibíblica, porque, além de nos robotizarem a repetir esse jargão incondicionalmente na primeira frase de toda e qualquer oração (diz-se: para não dá “brecha” ao diabo), é uma prática nociva para a alma do cristão. Esse dogma nos condicionou a uma fé completamente supersticiosa, com um quê de esoterismo. Não uma fé saudável, mas provocadora de paranóias e medos, uma vez que, se não recitássemos o bordão do “clamor pelo sangue…”, sofreríamos uma investida do Maligno ou mesmo nossa oração não seria respondida; porque Deus, de birra, viraria a cara para o nosso pedido.

Ora,  vocês deviam ter se contentado com o que é simples e puro ensinado por Jesus desde o início de seu ministério, há 2.000 anos, através de fartos exemplos contidos na Bíblia Sagrada. Uma oração real e verdadeira não é a repetição de um mantra, várias e várias vezes para ser ouvido, como se fosse uma “senha” para fazer um “download” do “Sangue de Jesus”, mas uma expressão da alma, em desejo de relacionar-se com o Senhor, em sincera constrição de arrependimento de pecados, através de uma conversa íntima com a pessoa de Jesus. O Senhor Jesus é uma pessoa, por isso, relacionamos e conversamos com Ele apresentando nossos erros e pecados. A condição do crente orar diretamente a Deus, através de Jesus, para ser perdoado pela Graça de Deus (Sangue de Cristo), não está refém de recitar a frase tal, mas já está predisposta aos crentes desde a Cruz, a qual recorremos, não pelo seu falar, mas pelo seu reconhecimento (crença, de coração), que ela existe verdadeiramente. Desde aquele dia no Calvário, por causa do Sacrifício (Sangue) de Jesus, fora quebrado tal barreira da separação entre Deus e os homens, para a Ele se dirigir a nós diretamente.

Não adianta “sacrificar”, ofertar o sangue, como se fosse preciso ofertar várias vezes o Cordeiro Eterno (recitar o mantra), se não há um coração predisposto de estar íntimo com Deus em espírito e verdade. Se há um coração íntimo, em desejo de estar com Deus, reconhecendo o valor de Seu Filho, “clamar pelo sangue…” ou não é absolutamente indiferente para Deus, pois o Senhor olha para o coração, e não para os lábios. A condição de falar “poder do sangue” ou “clamor pelo sangue” não tem poder nenhum em si mesma. O Sangue já está derramado, basta nós entrarmos em comunhão, não através da menção de uma frase ou nome, mas mediante uma consciência pura e desejosa, cultivando uma vida reta, humilde, que quando erramos, nos arrependemos, e crendo, em espírito e verdade, no Senhor Jesus Cristo como nosso Salvador.

Hoje, sem as lentes obscuras da religiosidade, podemos ler em nossa Bíblia que Deus nos perdoa por nós confessarmos nossos pecados, através da crença e arrependimento em tudo aquilo que perfaz a pessoa do Senhor Jesus, por uma expressão íntima, do nosso espírito, em verdade, a Deus. Nunca a Palavra de Deus asseverou que é pelo recitar (pelo muito falar) da frase “clamor pelo sangue…”, através de uma engrenagem humana – uma condição de  falar (ou não falar) – que, em si mesma, detém a capacidade de aspergir a Graça/Sangue de Jesus para nos perdoar. A aspersão do Sangue de Cristo não vem pela recitação de uma frase feita, como “apertasse um botão” e Deus funcionasse; pois Ele é uma Pessoa, e com pessoa nos relacionamos, e não tratamos como coisas mecânicas que funciona ou deixa de funcionar. Essa religiosidade legalista nos apresentou um Deus que atua segundo a perspectiva da funcionalidade e da mecânica, como uma coisa, e não como Ele de fato É, um Ser, uma Pessoa, que se relaciona conosco, como um Pai e um filho, em espírito de adoção: Abba Pai!

E o mais lamentável é quando assistimos o resultado que vocês causaram em vários crentes. Justamente pelo fato de corromper o crente com doutrinas esotéricas, no caso, retirando totalmente o valor do sentido da fé no Senhor Jesus, essa doutrina de vocês, como as demais, emulou o exclusivismo, acentuou o sentimento de arrogância e orgulho religioso, de forma que ficaram se enaltecendo em comparação aos demais cristãos, se achando os tais, por acreditarem que são portadores de “segredos da Obra”.

Uma confusão feita pelos sábios do Presbitério, no desejo de inventar moda. Costuraram fórmulas e mecanismos repletos de detalhes, caprichos, como que Deus “funcionasse” conforme a utilização de engrenagens engenhosamente bem acopladas… Obrigar as pessoas a falar “clamor pelo sangue…” não passa de vaidade e arrogância religiosa, pois, constrangendo as pessoas a obedecerem a essa particular doutrina, não passa de um método de auto-afirmação, ostentando-se, através de um demagógico zelo religioso, de como vocês são “espirituais”, elaborando doutrinas que a ninguém foi revelado e sequer a Bíblia fundamenta.

É triste ver os irmãos da Maranata desprezando os demais irmãos porque simplesmente oram sem proferir o “abracadabra” com o Sangue de Jesus. É lastimável vermos irmãos de outros grupos, quando vão orar na presença de membros da Maranata, já no processo de oração, são tolhidos e constrangidos porque não “apertaram o botão” para Deus atender a oração. Que religiosidade mecânica e burocrata é essa? Sejamos sinceros, vocês acham que Jesus está severamente com o dedo em riste, observando com o cenho franzido e a boca enrugada, se vamos orar ou não recitando uma frase de cor ou está de coração pronto, alegre, nos esperando para que abramos a porta e Ele cear conosco, devido a um pedido sincero, humilde, real e genuíno por parte de nós?

comentários
  1. lolo ha disse:

    texto muito grande, as pessoas tem preguiça de ler… leem o primeiro paragrafo e depois saem da pagina, poderiam resumir um pouco o texto não? obrigado

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