Sobre Juízos à Base de Preconceitos, Mesquinhez e Jactância

Homens eram constrangidos a rasparem suas barbas, cavanhaques e a usarem roupas sociais para, lá, se sentirem com um coração leve e não condenado como um desqualificado espiritualmente, e sim como “varão valente”, “um dos nossos”. Também, oras, quando eles se deparavam, por acaso, com algum pastor ou membro exibidamente espiritual por aí, sequer eram saudados por um abraço, um “paz do Senhor”, um cumprimento afetuoso, por exemplo, senão, as primeiras palavras eram de censura, de crítica, porque estavam com barba para fazer ou porque estavam vestidos de bermuda. Ridículo! Mulheres eram julgadas por olhadelas, mesquinhas e desdenhosas, em razão de estarem vestidas de calça comprida, e cerceadas e moralmente pressionadas eram elas a abandonarem suas calças e bermudas em troca do “uniforme de crente” (saia ou vestido) para que pudessem se sentir à vontade no meio, sem o pesar da culpa. E, quando de calça estavam, se sentiam de consciência pesada quando, porventura, se deparavam com uma religiosa da Maranata, bisbilhotando suas pernas, com olhar carregado de julgamento. Coitadas! Quanta futilidade! Escravas!

Como é triste irmãs carregarem à parte suas saias ou calças compridas em bolsas ou sacolas, a fim de ora trocarem, ora destrocarem, uma peça por outra, para irem ao trabalho ou à igreja, a depender do local. Isso é de uma mediocridade sem tamanho. Olhem aonde vocês chegaram!? Fruto da escravidão religiosa, de um ensino farisaico, pelo qual, desprovidas de identidade e opinião própria, as mulheres são movidas por caprichos de líderes que se acham os donos de Deus e os árbitros daquilo que Deus gosta e desgosta, e decretam que ”saia é roupa de serva”, sem sequer haver algum respaldo bíblico para tal imposição.

Essas mulheres faziam isso em nome de Cristo? No fundo, no fundo? Não! O Evangelho não prega isso. Mas as irmãs obedeciam por medo! Puro medo! Medo de serem discriminadas, rotuladas, menosprezadas por religiosos que medem as pessoas por valores de vaidade, de aparência. E os líderes, praticamente “às chibatadas”, insulavam de forma indireta (desprezo, olhares, isolamento) esse “zelo” em nome da ostentação do sistema da Maranata. A liderança mesquinha estabelecia suas tradições religiosas como verdades incontestáveis de modo a desfazer-se de uma vida humana se preciso para reverenciar esses usos e costumes. Pessoas que saiam da opressão do mundo, achando que seriam agora libertas em Cristo congregando com vocês, encontravam, porém, era outro tipo de opressão: a da religiosidade farisaica, do juízo temerário, da culpa, da consciência pesada, da angústia… Pessoas marionetadas, robotizadas, escravas da opinião de religiosos, produtos do ego de líderes sem Evangelho, mas empachados de tradições e doutrinas de homens.

É claro que o cristão deve procurar se vestir adequadamente, pois a santidade inclui sim nosso corpo, mas pensar que o fato de obedecer, ora uma “convenção”, ora uma “revelação”, para usar saia comprida, ou não usar barba ou cavanhaque, ou não cortar o cabelo te faz mais santo que o teu irmão, desculpe-nos, mas é burrice. Santidade não é um conjunto de praxes exteriores: é uma vida com Cristo, refletindo ao mundo o seu caráter e atitudes.

Quão desagradável era presenciarmos os irmãos, instados pelos discursos da liderança, depreciando a espiritualidade do cristão da Denominação ao lado pelo simples fato dele fazer uso de barba ou cavanhaque. Quão negativo era para nossa alma está na companhia de certos crentes que valoravam negativamente o coração da irmãzinha da casa vizinha, por simplesmente ela ser de outra Denominação e não usar vestido ou saia como traje eclesiástico. É triste observar irmãos sendo recrutados a uma fé cujo senhorio a Cristo se resumia em apenas “bater cartão” numa série de atividades da Instituição – basta ter fé, apresentar visões, revelações e falar em línguas; mudar de hábito, horários e costumes; seguir certos protocolos e burocracias religiosas dentro da “bolha” Maranata; e, agora, com essa vida, está tudo muito bem e obrigado, que Deus vai abençoar.

Quão insuportável era participar de reuniões de cunho secreto nas quais a vida dos irmãos era destrinchada pormenorizadamente – sem sequer saberem e terem o direto de defesa – por pessoas cheias de si, se achando espiritualmente superiores e com todo o direito para arbitrar e decidir, assim, na maior naturalidade, sem remorso nenhum, sobre os sentimentos amorosos, emocionais e espirituais da vida alheia. Que é isso? É de uma perversidade sem tamanho.

Quão lastimável era convivermos naquela atmosfera carregada de religiosidade, onde pessoas diziam ser servas de Deus, mas que só enxergavam o relacionamento com o próximo conforme a polarização “Da Maranata x Do Mundo”. Isto é, nesse embalo religioso, os seres humanos, no fim, tinham seu caráter mensurado simplesmente segundo a superficialidade e mesquinhez de “é ou não membro da Maranata”. Se era membro da Maranata, receberia afeto, pois tem caráter. Se não era membro da Maranata, era descartado, pois teria um caráter duvidoso. Mas que pobreza de espírito… No frigir dos ovos, os seres humanos só tinham valor como pessoa se, e somente se, fossem satisfatórios e úteis “servos dessa Obra”. Havia pitadas de fraternidade na Maranata? Claro! Você era amado e benquisto na Maranata, contanto que contribuísse em obediência e esforços para a Instituição. Caso contrário, você não seria amado, seria um descartável, um indiferente ali no meio, um inválido sujeito como homem (ou mulher), desprezível, que não tinham nenhuma importância, seja como cristão, seja como pessoa para conversar, conviver, relacionar, namorar, trabalhar, casar etc.

Lá, você não tinha valor como ser humano, por ser, a priori, um filho de Deus, por ser apenas alguém; você só tinha valor se você encarnasse um instrumento interessante para a satisfação da Maranata. Só pelo fato de não ser da Maranata, previamente, você já estaria compondo o rol de descartados do ciclo da vida. Parece-nos que as pessoas da Maranata estavam gravitando em dimensão “ariana”, como seres superiores, e o restante das pessoas, enquanto não membros da Maranata, mereciam ser estigmatizadas como coitadas, ignorantes, injustas, não-confiáveis, duvidosas, sem-caráter, perigosas para uma amizade ou qualquer outra relação ou negócio pessoal. E ainda vocês, cegos, por essa atmosfera simuladamente piedosa, ao observar os exemplos dos líderes, não conseguiam perceber o quão negativo é isso que vocês viviam e ensinavam.

comentários
  1. Aluízio disse:

    Sou maranata, ainda.
    Mas concordo com este tópico e entre outros em número, gênero e grau.

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