Sobre Fardos Religiosos Pesados Difíceis de Suportar

As pessoas eram compelidas, sob ameaças e chantagens, a estarem presentes nas intermináveis atividades diárias da igreja. Pela carência de conteúdo cristão em vocês, sem tato, sem valores do Evangelho, sem primar pela vida humana, o único recurso do alcance de vocês era externar o que tinha em seus corações: cobrar, cobrar e cobrar. Cobrar o quê? Cobrar mesquinhamente para que as pessoas se esborrachassem numa jornada eclesiástica asfixiante de reuniões, cultos, visitas, ensaios, mutirões, seminários, evangelizações, enfim, e todos os dias da semana inventavam algo novo. Não se contentavam com apenas o rigor dos cultos diários; mas, para se amostrarem do “quanto eram espirituais” e se afirmarem perante as outras igrejas (e convencer os novos convertidos), tinham que preencher qualquer tempo “vazio” do dia, da semana, de um feriado, com reuniões e mais reuniões após os cultos ou entre cultos. Esse comportamento é nada mais, nada menos, que uma demonstração de sua fragilidade espiritual, fruto desse engodo religioso que gera corações angustiados, consciência culpada, tentando a todo custo buscar justificativa e méritos perante Deus. Fruto de ensinos esdrúxulos, de uma liderança sem preparo do Evangelho da Graça, mas rico no “evangelho da culpa (da dívida)”.

Fanatizaram as participações nos templos e maanains em razão das quais provocou inúmeros transtornos familiares, conjugais, estudantis, profissionais e, sobretudo, espirituais. Quantas pessoas foram destruídas nessas áreas da vida por estarem sempre ocupadas com as atividades religiosas da Instituição? Quantas pessoas foram consumidas emocionalmente, dado ao rigor de normas e compromissos? Quantas pessoas foram acometidas de depressão e abalos emocionais terríveis (irritabilidade, ansiedade, nervosismo, paranóia, fadiga e stress mental) por causa da corrosão da culpa em seus corações, porque vocês lhes cobravam tanto as participações em atividades infindáveis, sob pena dos membros sofrerem castigos humilhantes e desmoralizadores, até ameaças de punições divinas, ruptura familiar, de namoros, de noivados (estimuladas pelos líderes) caso descumprissem com as “orientações”, faltassem cultos, ensaios, seminários etc.? Quantas?

Quantos casais, familiares, pais, filhos foram preteridos porque os seus queridos faziam de tudo, a ponto de cruzarem mar e terra, para satisfazer os compromissos do sistema, para fazer média com o pastor e à igreja, todos os dias, todas as semanas, mas eram incapazes de “enfiar um prego em barra de sabão” para atender em afeto e carinho um amigo, um filho, o pai, o genro, a sogra? Foram recrutados a mudarem a equação, de modo a serem capazes de fazerem sacrifícios com seus horários, a vencer a indisposição, a esquecer os estudos um pouco, a faltar o emprego, a abandonar a família, para trabalharem ou irem a um mero aniversário do pastor, ao um culto na casa de Fulana, a uma visita na casa do diácono, a uma festinha de aniversário do filho do ungido, a uma serenata para senhora linha de frente que chegava de viagem… Porém, na hora de demonstrarem o mesmo empenho para comparecer a formatura do irmão, a ir ao aniversário do filho, a fazer uma festinha para o marido, a buscar a nora no aeroporto, eram incapazes de vencer alguma coisa, a não ser inventar desculpas, ora para ficar em casa, ora por estar ocupado com atividades da igreja. Famílias foram devastadas por causa dessa religiosidade hipócrita, mesquinha e exibicionista, que se faz de tudo para uma instituição, e passa a relativizar qualquer demonstração de afeto aos entes queridos. Isso, parando para pensar, é perverso! Mas, cegos pelo contexto falsamente piedoso, não enxergavam como estavam deteriorando suas famílias.

Por que mudaram a lógica cristã? Por que os protocolos da Instituição tornaram mais importantes do que pessoas, sobretudo, da família? Por que acharam que é mais importante prestar afeto aos da Maranata, enquanto os de sua família e afins são preteridos? Por que movem montanhas para estarem presentes numa confraria de membros da Maranata, mas para estar com os seus é muito mais difícil?

Feriados? Ora, quando nós vislumbrávamos programar algo com a família, para finalmente termos um tempinho de diversão e privacidade com a esposa e filhos, ou para estudar para um concurso, vestibular, prova, ou mesmo para ler as Escrituras, orar, assistir amigos e familiares, ou mesmo repousar em casa, lá se vinha a péssima notícia do púlpito, o pastor lendo a circular: os membros estão sendo “convocados” (entenda-se: obrigados) a se fazerem presentes mais uma vez a um seminário ou encontro especial que perdurará o fim-de-semana ou feriado inteiro. Meu Deus! Todo feriado! Para quê? Ora, para escutar, de novo, aquelas mesmas aulas repetitivas, sem conteúdo e de um teor teológico enfadonho e anêmico? Ou, de novo, para ouvir aqueles incansáveis discursos de autodefesa, autopromoção e desconstrução da imagem das outras Denominações? O convívio familiar não existia mais em razão do calhamaço de atividades religiosas insuportáveis.

E é por isso que o mais comum era nos depararmos com rostos emburrados, sisudos e mal humorados de obreiros, diáconos, senhoras e pastores, enfim, em razão da interminável sequência de obrigações diárias na igreja. É lamentável olharmos para trás e constatar o quanto de tempo que tivemos perdido dentro dessa “ilha”, cirandando ao redor dos caprichos da Maranata, deixando de lado nossos deveres matrimoniais, nossos estudos, nossa profissão ou mesmo nossa condição de se divertir, brincar, entreter-se com a família, amigos e com irmãos da própria Igreja. Essa atmosfera tensa, de seriedade ascética extremista, retirou nossa naturalidade, sufocou a nossa infância, murchou a nossa juventude, tolheu de nossa vida adulta o prazer de viver em alegria, confraria, brincadeiras com pessoas próximas de nós.

Toda vez que sonhávamos com algo dessa natureza, o grito da liderança reverberava em nossos ouvidos: “O servo dessa Obra não precisa se divertir como no mundo! Porque todos nossos cultos são uma festa!” Vocês, através dessa humildade fingida e paranóicaa de ver pecado em tudo, acabavam incutindo na cabeça de gente ingênua que viagens, cinemas, praias, esporte, academia, festinhas de aniversário, tudo era “coisa do mundo”, e não podíamos ocupar nosso tempo com isso, mas sim com mais atividades e mais tarefas dentro do templo da Maranata. Essa visão simplista e pueril de achar que, para sermos fiéis a Deus, temos que estar engavetados dentro de um templo, é por demais devastadora de famílias, lares e almas. Pessoas tristes internamente, com sorrisos amarelos, cheias de frustrações porque diversão era ir ao “culto” e, passando disso, era “libertinagem”, era pecado e falta de “mentalidade de Obra”. Absurdo!

 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s