Sobre Ensinos e Perspectivas Infantis da Teologia da Causa e do Efeito

É triste ver que uma doutrina, a da Volta de Jesus, tenha servido para muitos em suas igrejas se acomodarem a tal ponto de não quererem estudar, trabalhar, fazer pós-graduação, mestrado, MBA ou algo do gênero a contento, de maneira a serem relapsos e irresponsáveis com deveres matrimoniais, paternais e familiares. Assim, para que estudar? Para que se divertir com o cônjuge? Para que assistir os pais e parentes do interior? Para que estar atento a educação moral e estudantil do filho? Para quê? Jesus está voltando mesmo. Logo, vamos focalizar e carregar a mente só de obrigações que temos na igreja e nos consumir nos serviços religiosos diários que, embora acabemos sendo pífios profissionais, péssimos cônjuges, pais ausentes, medíocres estudantes, indiferentes filhos, insensíveis parentes, seremos recompensados com bênçãos divinas; haja vista que estamos “fazendo a Obra” e “amamos a Obra” e por isso o Senhor nos dará a bênção – pensam vocês. Que raciocínio mais infantil é esse?

Perdeu o emprego? É porque você não dizimou. Perdeu a benção. Ficou doente? Claro, você parou de ir aos cultos e enfraqueceu. Você deu brecha ao Adversário. Bateu o carro? Ora, é o Inimigo te perseguindo porque questionou a “Obra”. Está fora do projeto. Até hoje não arranjou uma namorada? Lógico, é porque está faltando à [culto da] madrugada. Não é fiel à “Obra do Senhor”. Não passou no vestibular, no concurso? É porque deixou de ir aos seminários. Não colocou a “Obra” em primeiro lugar. Está com problemas no casamento? Sem dúvida nenhuma, é porque não faz mais mutirão no maanaim. Não “entendeu a Obra”. Foi assaltado? É porque não fez o “clamor” direito antes de sair. O Senhor não deu o livramento. Está com problemas financeiros? É uma opressão do Inimigo. Pague um preço. Venha à madrugada todos os dias e jejue de tal hora a tal hora. Nosso Deus, quanto simplismo! Quanta meninice! É a Teologia da Causa e Efeito…

É triste ver que a fé que o Presbitério incutiu outrora em nossas mentes foi de uma religiosidade utilitarista, baseada em partidas e contrapartidas, de causa e efeito. Ensinou-nos um deus diferente, com um caráter interesseiro e oportunista, que só realiza bênçãos se, e somente se, nós lhe fizermos algo em troca e com ele negociarmos, barganharmos. Apresentou-nos um deus materialista, obstinadamente preocupado com os tesouros desse mundo, a saber, os “patrimônios da Obra”, do que com os problemas e necessidades do ser humano. Indicou-nos um deus que valoriza muito mais o nome, a imagem, a fama, os caprichos e os interesses da Maranata do que cuidar das necessidades e fraquezas dos seres humanos. Que, por isso, esse deus estava atento aos supostos méritos religiosos que alcançávamos à medida que nos consumíamos nos serviços intermináveis e diários do sistema religioso.

Apresentou-nos um deus rancoroso, rabugento e carrasco, sedento para aplicar castigos e punições naqueles que não se tornassem úteis e satisfatórios ao sistema. “Varão, faça a Obra que “Sinhô” te dará bênção. Se não, ó… Temos que pagar um preço, varão!” – não era assim que nos ensinavam? Que deus é esse? Deus das obras religiosas? Vocês querem o Pai ou um patrão? Um deus lobista de Denominação religiosa? Um deus capitalista, mais interessado na Instituição Maranata, do que as vidas das ovelhas? Esse deus nos parece muito mais o alterego do Presbitério do que o Deus Altíssimo, Maravilhoso, Conselheiro, Príncipe da Paz que morreu e ressuscitou por nós e que jamais joga fora as suas ovelhas.

Deus é Pai. Deus é pessoa. Deus se relaciona conosco como um amor paternal. Deus é espírito, vivo, que se relaciona intimamente conosco, e não é uma “coisa” que se pode emoldurar ou enquadrar dentro de um “Manual de Instruções”, com o qual entendemos o como Ele “funciona”. Deus não é um patrão ou um senhor feudal que trata seus empregados como meras mercadorias ou propriedades descartáveis, que as usufrui de seus serviços à proporção que são úteis e interessantes ao sistema. Apresentaram-nos não um pai, mas um chefe capitalista de visão utilitarista que conosco se relacionou de forma fria e distante, de modo que gerava em nós muito mais medo e terror, culpa e necessidade de aprovação, do que afeto e desejo de amar e servi-lo cada vez mais, cheio de gratidão e inspiração. Não é só triste, mas, perverso.

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