Sobre a Prioridade Institucional Acima do Ser Humano

É triste ver que o ardente desejo por seriedade com os assuntos de Deus tenha se transformado em autoritarismo e arbitrariedades (abusos morais). É triste ver que o desejo de organização tenha se transformado em obstinação e legalismo asfixiante, a ponto de “atropelar” as pessoas sem dó e piedade para sempre alardear o nível de “organização” e “pontualidade” de vocês. É lastimável ver que o ânimo por obediência a Deus tenha se interpretado como fundamentalismo religioso, a ponto de esmagar as necessidades do próximo. O legalismo obrigatoriamente produzirá orgulho no coração – dizia Watchman Nee. Concordamos.

Ora, essa obstinação pela “organização” é tal e qual um quartel militar. Aliás, sentíamos sufocados. Se organização, pontualidade e zelo fosse prova do governo de Deus, o exército de Hitler seria a igreja perfeita. Mas Hitler queimava quem discordava dele e saia da linha. Seus subordinados eram treinados a fazerem o mesmo. Organizar onde não se pode discordar é fácil. Organização mediante a política do medo e ameaças não têm nada a ver com Reino de Deus.

É lamentável ver que o desejo de dependência do Espírito Santo, tenha se traduzido em infantilismo e subserviência a homens, como se racionalidade fosse antagônica de vida espiritual e vida espiritual fosse sinônima de irracionalidade. Humildade e simplicidade não se traduzem num estado irracional, que não possui pensamento crítico, como um gado, que só reage a imposições. Mas ser racional é prescrição bíblica. Racionalidade é sobriedade, prudência, cautela; é algo nobre, devido a todo cristão sincero e maduro. Humildade é não almejar grandes coisas para se firmar perante os homens, mas depender de Deus, buscar os ensinos das Escrituras, mas sem perder a capacidade de pensar e agir criticamente, contra tudo aquilo que se opõe à Justiça de Deus.

É angustiante ver que o interesse de vocês de quererem ser muito bons, tenha lhes canalizado para a frieza e atrocidades religiosas em nome “dessa Obra”. Quantas pessoas vimos sendo, literalmente, escorraçadas e destruídas emocional e espiritualmente porque não apresentavam certas credenciais interessantes à Instituição? Quantos pedintes eram tangidos como cachorros das portas do templo, porque estavam mal trajados ou mal cheirosos? Quantos casais de jovens ao caírem em pecado, engravidando-se, por exemplo, eram excluídos da Igreja e deixados à mercê do mundo, e os membros, em vez de serem instrumentos terapêuticos para recuperarem-lhes do pecado, eram orientados a não se comunicarem com os “caídos”, abandonando-os friamente? Quantas pessoas carentes de Deus chegavam à Maranata atrás de ajuda e foram destruídas, porque “deus” havia lhes rejeitado o batismo nas águas, porque não tinha se “libertado” (deixado de usar) da calça comprida ou do cavanhaque – “o Senhor não permitiu”?

Quantas pessoas que, quando erravam e tinham o pecado descoberto por um número significativo de membros, serviram como mau exemplo e bode expiatório, quando vocês tinham que puni-las com a excomunhão e a ruptura social? Quantos casais de jovens namorados, ao chegarem à Maranata, tinham que obrigatoriamente terminar o namoro pelo pastor, sob pretexto de “revelação do Senhor”, já presumindo, cheio de juízo, que, como vieram do mundo ou de outra igreja (leia-se: da “religião”) certamente estavam tendo relações sexuais, sem a menos, de antemão, o pastor conversarem com ambos? É lamentável que em nome dessa vaidade religiosa de quererem ostentar um pretenso puritanismo e elitismo espiritual, em vez de acolher e tratar os enfermos, em acompanhamento, em paciência, em ensino, em amor, o que vocês faziam era terminar de matá-las espiritualmente. Já dizia o velho raciocínio cristão: quem gosta de ser muito certo, gosta para agradar o seu “eu”, e quem gosta de ser amável, gosta de agradar a Deus.

É triste ver que o desejo de quererem ser tão espirituais tenha lhes convergido à vaidade de cunharem inovadoras doutrinas sem base bíblica, não se contentando com a singeleza daquilo que já estava escrito. É triste ver que o desejo de ser um grupo saudável, tornou-se vaidosamente em querer ser diferente, de modo a transformar a Maranata em uma seita religiosa, cultivando o exclusivismo, obscurantismo e segregacionismo. É triste ver que as críticas generalizadas e irresponsáveis a outras Denominações petrificaram seus corações na prepotência, orgulho e autosuficiência, fazendo com que muitos dos membros da Maranata até hoje acreditem piamente, em sua ignorância, que não existe nenhuma possibilidade de vida em Cristo e sucesso espiritual senão for sob a batuta do Presbitério, vez que todas as Denominações estariam irremediavelmente perdidas na “religião” e entregues ao mundanismo.

Sejamos sinceros: Quantas vezes vimos membros da Maranata esnobando de “movimento”, “mescla”, “tradição” e “religião” uma determinada Denominação ou tudo que dela provém pelo simples fato de não carregar a placa “Igreja Maranata”? “Engravidadas” por vocês, as pessoas acabavam por desprezar, prematuramente, aquilo que sequer viram, experimentaram, analisaram, avaliaram ou mesmo tiveram a paciência e hombridade de tolerar diferenças fúteis, de aparência, como questões de horários, costumes, liturgia etc. Vocês não queriam saber se nesse grupo os irmãos pregavam a Salvação pela Fé em Cristo, se a Bíblia é a maior autoridade de ensino e se os valores do Evangelho, de fato, procuravam ser postos em prática na vida como todo. Não! Vocês, cheios de si, julgavam com base no modelo do seu “umbigo” e ignoravam o conteúdo dos demais. Vocês rejeitavam de cara! Pelo simples motivo de tratar-se de uma Denominação que não era a Maranata. Como os religiosos opositores de Jesus, vocês aprenderam a estimar a forma, a embalagem, a aparência, e o mais importante ignoravam, que é o conteúdo, as palavras, a mensagem. Que sentimento mais horroroso!

É uma pobreza de espírito tão acentuada que, refletindo nós sobre as “evangelizações”, os membros da Maranata, quando se achegavam em alguém, não apresentavam o Senhor e sua Palavra essencialmente, mas sim, quando não apenas entregavam um convite (“uma palavra de esperança para seu coração”), discursavam sobre supostos atributos da Maranata em comparação às outras Denominações – “Venha nos visitar! O culto é rapidinho, 30 minutinhos; não é como nos outros lugares que dura mais de duas horas. Nossos louvores são lindos e harmoniosos. Não tem gritaria, nem pula-pula, não pedimos dízimo, nossos pastores não recebem salário, e o culto é na revelação, na reverência. E o Senhor dar dons espirituais em todos os cultos…”. Não é assim que evangelizavam, normalmente? “Evangelizar” carregando a bandeira da Maranata é a mais exata constatação de que sua fé está equivocada. É uma constatação real de uma igreja que não está sendo cristocêntrica, mas sim é o nome da Denominação que é a ênfase e de si é todo o mérito; quer queira quer não, o Senhor Jesus, embora seja o motivo, é apenas secundário e acessório para os fins religiosos da Instituição. Isso não é evangelismo, é meninice. É “corintianizar”. Não sejamos como os meninos de Corinto que peleavam por causa de Paulo, Apolo e Cefas.

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