Sobre a Loteria de Versículos Como Recurso Norteador

Ora, se até a Bíblia que deveria ser usada primariamente para a aquisição do conhecimento de Cristo ou crescimento na sabedoria e valores cristãos, infelizmente, passou a ser tratada como um “tarô” norteador de destino ou um instrumento de um jogo esotérico de adivinhações para saber a vontade de Deus, logo, é fácil entender o porquê desse simplismo pueril nos julgamentos dos problemas da vida. Como é lamentável observamos que ainda hoje nos deparamos com irmãos infantilizados, meios abobalhados, cheios de inseguranças, necessitados de respostas imediatistas, sorteando versículos bíblicos para saciar suas carências e fraquezas emocionais e falta de fé/confiança em Deus, porque a fé não é suficiente e o comodismo tomara-lhes de conta em não buscar, na oração ou na leitura compromissada da Bíblia, a voz da sabedoria Deus e o verdadeiro valor do “creia tão somente”.

Como crianças, queriam respostas prontas. Será possível que jamais vocês não perceberam que essa doutrina esquisita (bibliomancia) posiciona-se como um impostor substituto da fé, da sabedoria e do discernimento de espíritos – dons espirituais? Será possível que vocês nunca perceberam que a prática da bibliomancia é tão medonha que coloca Deus no canto da parede, forçando-o a responder no momento em que vocês bem aprouverem? Basta realizar alguns protocolos, e Deus, pressionado, terá que, necessariamente, falar um “sim” ou “não”? Ora, Deus sequer tem a opção calar-se. Isso não seria tentar a Deus? Como se o Senhor ficasse refém dos mimos e das respostas imediatistas de vocês através do ritual da bibliomancia?

É muito fácil achar explicações “espiritualizadas” para tudo o que acontece na nossa vida. É muito oportunismo jogar as responsabilidades das decisões dos pastores e liderança nas costas de Deus. É muito cômodo e mesquinho ensinar a pessoas ingênuas que Deus só concederá bênçãos se você Lhe der em algo em troca, no caso, trabalhar a satisfatoriamente para a Maranata. É muito conveniente cobrar e aterrorizar pessoas para cumprirem uma patacoada de atividades religiosas a fim de alcançarem bênçãos. É muita cara-de-pau jogar sobre os lombos de jovens e pessoas pouco instruídas a responsabilidade de cumprirem essa asfixiante rotina de atividades, através das quais possam adquirir méritos para receber bênçãos de Deus.

Os mercadores da fé, aqueles que se apresentam como os sabichões da última hora, que têm opiniões formadas sobre tudo, que têm solução e respostas para tudo, como se fossem o próprio Deus, pretensos conhecedores de todos os mistérios da Eternidade, sempre irão querer espiritualizar os fatos para arregimentar pessoas ao infantilismo, dando-as respostas e explicações para tudo e gerando essa falsa sensação de segurança, a fim de, às escusas, assegurar seus próprios deleites. Assim, eles podem vender seu produto religioso, o nome de sua Instituição, que a chamam de “Obra”, à custa da ignorância alheia. É angustiante olhar um irmão ainda sob o regime medieval da Maranata vivendo nessa ilusão, achando que, se estiver plenamente em dia com o “carnê da felicidade”, o emprego ou o casamento dos sonhos cairá dos céus. Francamente…

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