Sobre a Constatação da Infertilidade pela Falta de Evangelho

É inevitável não nos lembrarmos dos famigerados seminários. Quantas vezes nós chegávamos aos maanains ansiosos para receber a Palavra de Deus, depois de acordar bem cedo, deslocar quilômetros, pagar uma taxa nada barata e fazer o jejum obrigatório (o tal do “preparo”) para “subir” ao “santo lugar”, e quando lá, o que ouvíamos era um discurso proselitista, egocêntrico e marqueteiro? Em vez de deliciarmos sobre Jesus e o conteúdo do Evangelho, tínhamos era uma exposição ridícula de autopromoção e a desconstrução generalizada da fé das outras Instituições. Em vez de canalizarem suas palavras à prática cristã, tínhamos era um recrutamento de empregados para trabalharem na Instituição Maranata, em troca de serem abençoados. Em vez de expor os frutos do Evangelho, tínhamos era uma narrativa repetitiva de testemunhos de pessoas exclusivamente membros da Maranata que foram abençoadas por Deus porque, necessariamente, foram fiéis aos compromissos e obrigações do sistema.

Em vez de sermos preparados a amar as pessoas e sermos singelos de coração, éramos moldados a sermos soberbos, orgulhosos, vaidosos por sermos da “Obra Revelada”. Em vez de sermos estimulados a propagar o Evangelho, éramos seduzidos a reter um tal de “segredo” que não poderia ser dito lá fora, porque somos um “povo nobre” e “especial”. Em vez de sermos ensinados sobre paz, a paciência, a tolerância, o amor, a alegria do Evangelho, éramos instados ao ódio, ao preconceito e à intolerância religiosa contra os questionadores das doutrinas e dissidentes da Maranata. Em vez de sairmos de lá radiantes de alegria com o amor e a graça de Deus, saíamos assombrados, aterrorizados, acometidos de náuseas e ânsia por tanto terrorismo e culpa implantada em nosso coração. No fim dessas aulas, saíamos dez vezes mais angustiados e vazios do que preenchidos e saciados pelo amor de Deus.

Já o culto, a reunião que era para ser moderada, com temor, reverência pelo Senhor, respeito aos ouvidos alheios, mas sem desprezar o poder de Deus de operar, passou a considerar os atributos da ordem e moderação cada vez mais associados ao extremo formalismo e ao ritualismo burocrático. Cultos mecânicos, engessados, repetitivos e sem conteúdo, nada espontâneo, nada humano, nada autêntico. Porque no lugar de uma mensagem clara sobre a pessoa Jesus ou com a finalidade de talhar o caráter do cristão nos valores do Evangelho, o que se tinha eram “traduções” de supostos dons espirituais e a exposição oca e inútil de uma exegese teológica sobre especulações alegóricas de numerologia e tipologias, de versos isolados das Escrituras. Assim, era desde o anjo que trazia bandeja de prata com pão e vinho ao que recebia vestes novas e um envelope com o escrito “salvação” ou desde as 05 pedras do ribeiro que seriam tipo dos meios de graça ao do peixe assado, tipo do servo fiel.

Nesse ritualismo, passava-se o tempo precioso “discernindo dons” sem que visitantes entendessem, ficando a mensagem mais focada aos que estavam integrados na igreja do que para os que entravam ali com fome e sede na alma. O pregador, em sua empáfia – forçando trejeitos e poses na vaidade de querer ostentar elegância (para denotar “espiritualidade”) -, passava o tempo precioso do culto especulando tipologias e simbologias de versículos bíblicos, expondo malabarismos teológicos vazios e ocos, sem aplicabilidade prática nenhuma para a vida cristã, deixando os visitantes muito mais entretidos em observar as “caras” e “bocas” artificiais do “pavão”, e os próprios membros mais interessados em mexer na cutícula da unha, do que satisfeitos quando acreditaram que ali saciariam a alma pela exposição dos valores do Evangelho.

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