Seitas Cristãs

As seitas cristãs (igrejas pseudo-cristãs) são um grupo indivíduos organizadamente reunidos em torno de interpretações errôneas da Bíblia, originadas por uma ou mais pessoas, daquelas que são consideradas genuínas, verdadeiras e ortodoxas. Uma seita é, geralmente, uma denominação que surgiu por causa de uma reação contra uma igreja ou outra denominação (não necessariamente legítima), encabeçadas por um grupo ou um líder imbuído de um espírito, não só restauracionista, mas messiânico e visionário na pretensão de reformar ou restaurar a Igreja cristã, que se encontraria supostamente perdida nas heresias e apostasia do presente tempo.

São geralmente fanáticos que arvoram como conhecedores e descobridores da real vontade divina, sempre amparados sob uma visão ou revelação que receberam de um anjo ou do próprio Deus. Embora fanáticos, sabem ser atraentes, carismáticos (quando convém), extremamente inteligentes, estrategistas, com poder de persuasão e manipulação fora do comum, de modo a conseguir arrebanhar significativo número de bajuladores e seguidores. São sempre movidos por sentimentos carnais, como vaidade, soberba e ganância, no entanto, sabem muito bem encobri-los pela ostentação de uma piedade afetada e um moralismo exagerado. Embora de grande poder de convencimento, são extremamente autoritários, pois arrogam ser detentores de “habilidades especiais”, logo, estão acima de qualquer código de ética e não podem ser negados nem contraditos. O motivo disso é que, como uma seita é fundamentada à base de interpretações erradas e verdades inverificáveis, não admitem qualquer tipo de liberdade de expressão ou questionamentos.

Como sabido, as interpretações errôneas da Bíblia são chamadas de heresias ou desvios doutrinários. Portanto, as seitas são o produto final, organizado e aplicado das heresias, ou seja, o resultado da fermentação herética na massa de uma determinada igreja. Nem toda heresia necessariamente culmina na formação de uma seita, mas toda seita possui em seu sistema elementos fundamentados em desvios bíblicos.

As seitas sempre reconhecem uma autoridade adicional às Escrituras, a qual acaba sobrepujando a Bíblia, e se torna sua base para doutrina e governo. E essa fonte de doutrina é sempre de cunho inverificável. Muitos ensinos das seitas não podem ser comprovados devido ao seu caráter infundado, como revelações, sonhos e visões extrabíblicas, que o líder afirma ter obtido. Logo, as afirmativas são internalizadas e facilmente manipuladas pelos sistemas filosóficos dos seus criadores.

Superficialmente, todas as seitas cristãs possuem forte semelhança com a fé cristã legítima, e é justamente essa semelhança que se constitui no principal motivo pelo qual arrebanhem inúmeros seguidores para os seus arraiais, conjugando com a qualidade de que elas têm em oferecer aos seus simpatizantes e seguidores chamarizes ingredientes que fascinam a natureza humana.

As seitas apresentam Deus e sua doutrina em um estado pretensamente “evoluído”, “único” e “exclusivo”,como se elas fossem conhecedoras ou portadoras de algo “secreto” e “especial”, seduzindo muitos com base nessa estratégia de marketing. Quando não são saciados com a simplicidade e objetividade do Evangelho de Cristo, com as coisas belas e óbvias criadas por Deus, os homens ingênuos ou vaidosos buscam respostas nos “segredos” das seitas. O fato do comportamento de toda seita se fechar e se isolar para o não convívio com outras igrejas e praticar dentro da sua organização reuniões e atividades destinadas para certos tipos de pessoas mais “espirituais”, só alimenta nas pessoas o sentimento elitista.

As “iguarias” doutrinárias das seitas são distorções da verdade das Escrituras, e as seitas adicionam “novas verdades”, que são mentiras. A Bíblia é usada por textos isolados, interpretando literalmente passagens que precisam de estudo, desprezando o contexto. Desacatam o Texto Sagrado com o objetivo de estabelecer autoridade para as suas idéias. Para as seitas, a Bíblia é, a princípio, apenas um livro qualquer que só pode ser entendido pelas revelações do Espírito Santo, as quais, normalmente, quem as possui são os líderes. Quando não são as “revelações” da liderança como fonte de doutrina, são outros livros e escritos julgados como fonte de autoridade, ditos revelados por Deus a seus líderes.

As seitas se prendem a “verdades” periféricas, tais como, vestimentas, usos, costumes, estilo de vida. Para eles, esse “caminho” particular é a garantia da certeza ou ratificação da autoridade e espiritualidade especial da sua fé. Existe uma ênfase exagerada e distorcida dada a certas doutrinas, o que traz um desequilíbrio total na verdade, que é Cristo. As seitas não se limitam a discordar sobre assuntos periféricos ou não essenciais como outras denominações; elas,via de regra,vão além, e negam ou distorcem aspectos essenciais da fé cristã, com o objetivo vaidoso de serem “diferentemente especiais”. Embora a lista possa variar ligeiramente de seita para seita, em geral seus ensinos discordam da verdade bíblica em áreas centrais do evangelho. Além disso, muitas vezes as seitas conjugam, às negações dessas verdades essenciais, as invenções de ensinos que não possuem nenhuma base bíblica.

Todas as seitas enfatizam geralmente uma “fórmula” específica, em um esquema rígido que deve ser seguido a fim de que determinados resultados espirituais sejam obtidos. Transformam algo bíblico que é muito simples, em uma complicação doutrinária ou mesmo num esforço desnecessário, como que denotasse mais fidelidade espiritual. Elas são atraentes justamente por essa pretensa rigidez moral, que denota pureza. Muitas vezes, um ensino (até mesmo bíblico e correto) é repetido à exaustão e indicado como solução para todos os tipos de problemas. Os sectários, na verdade, tendem a confiar muito mais nas “fórmulas” doutrinárias da seita do que na fé no próprio Deus.

Os membros das seitas, levados pelo exclusivismo, acabam acreditando que são os mais evoluídos ou mais elitizados espiritualmente. Algumas seitas, inclusive, pregam e acreditam que seus fiéis são os únicos que serão salvos, os únicos puros, que possuem a verdade. Em alguns casos, não admitem isso com palavras, mas sim com suas ações. Em comum, todas acreditam que as demais denominações estão perdidas ou fracassadas espiritualmente, enquanto elas se sentem as mais justas e corretas. Por se sentirem os mais próximos da verdade, os fiéis de uma seita exigem que o convertido faça parte de sua comunidade. Por isso, pregam para que os outros, mesmo cristãos de outros grupos, se convertam a eles.Tentam de forma empenhada obter seus fiéis nos outros grupos religiosos. E, por nutrir essa convicção de “eleitos para restauração da Igreja”, os sectários (membros de seitas) são vaidosos, egocêntricos, partidaristas, organizacionalmente obscuros, exclusivistas e isolacionistas – caracteres que ainda ratificam que uma seita não está sintonizada em seus atributos com a Igreja de Cristo.

Um ponto bastante sedutor em uma seita é que os líderes sempre vendem a si mesmos como um oráculo de Deus, uma figura que tem respostas e soluções para tudo na vida. Ao se posarem como “amigos íntimos de Deus”, capazes de receberem mensagens pessoais do próprio Altíssimo, muitos enxergam isso como uma expressão de autoridade e firmam-se, com toda segurança, nas palavras destes homens. Todos procuram respostas. Procuram saber sobre o futuro, sobre o que deve fazer para ser feliz, para vencer o desemprego, a doença etc. O ser humano é desejoso por natureza de estabilidade e segurança. Essa característica das seitas atrai milhares de pessoas, pois elas dão uma falsa satisfação das necessidades pessoais, dando respostas às necessidades psicológicas (pessoas de personalidades fracas e manipuláveis), emocionais (pessoas que possuem traumas) ou intelectuais (questionamentos a serem respondidos). Cria-se uma dependência, pois a seita vai ao encontro às necessidades humanas. Todos nós gostaríamos de ter uma resposta concreta para as questões básicas da vida, e esses líderes as têm, cheios de convicção, o que no futuro se constata que eram falsas.

Ao prometerem vida de total paz e felicidade, sem tribulações, sem problemas, exigem condições para tanto: o esforço do fiel voltado para os interesses de expansionismo e manutenção do sistema da seita. Fanatizam, então, as participações. Essa dedicação muitas vezes se traduz em puro escravismo. Alguns, de fato, até se preenchem emocionalmente com a rotina asfixiante das atividades da seita, ao se sentirem úteis e importantes para o grupo, sobretudo os que só têm a seita como seu mundinho de vida. Esses vivem para e em função da seita. Já estão totalmente arraigados espiritual e psicologicamente na rotina do grupo, de modo que, sem tal sistema, uns até suicidam quando o grupo é desfeito ou descobre que seu “castelinho de areia” não passava de uma ilusão ou um embuste criado pelos seus estelionatários líderes. Outros, porém, que estão mais próximo do contato social, das obrigações secular, acabam se escravizando, ao dividirem seus deveres matrimoniais, paternais, familiares, profissionais e estudantis com o callhamaço de obrigações da seita. Muitas são as tragédias psicológicas, matrimoniais, materiais, profissionais e, sobretudo, espirituais provocadas por esse fanatismo religioso.

Essa circunstância prazerosa que a seita muitas vezes concede ao ego do fiel é a inserção social. A seita pode propiciar a seus membros a aprovação social, a aceitação do grupo. Um propósito e uma sensação de pertencer a um grupo elitista, em que todostrabalham para ele, logo,o adepto adquire a sua importância dentro desse “mundinho”, e se consideram entre si por se acharem “os melhores”, “uma família”, e dá ao fiel um preenchimento e satisfação pessoal gratificante. Não é à toa que as seitas são eficazes cooptadoras de pessoas fragilizadas e de auto-estima baixa.

A seita incute a idéia de que quem a abandonar é traidor de Deus ou do grupo, rejeitando o amor e a ajuda que Deus e o grupo concedeu. Então, as seitas costumam transmitir a idéia de que ocorrerá a destruição do adepto, caso a pessoa se desvie das “verdades” do grupo.

As seitas são povoadas por pessoas zelosas, mas destituídas de verdadeiro entendimento (Rm. 10:2). Parecem boas moralmente e possuem, à primeira vista, um padrão de comportamento ético. Nunca devemos cometer o erro de questionar a sinceridade dos adeptos de qualquer seita para com a “verdade” à qual foram doutrinados; no entanto, precisamos reconhecer que esse zelo extremo a que se dispõem é, no fim, uma característica do espírito de religiosidade e de idolatria (à seita) que age por detrás deles, cegando-os sobre o verdadeiro entendimento do Evangelho de Cristo.

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