Nicolaitismo: “Ungidos do Senhor”

A apostasia está chegando a galope e estamos cada vez mais assustados, pedindo que Deus nos livre de cair nesse engodo que tem penetrado na Igreja, onde a vasta maioria dos líderes das igrejas já deixara de pregar realmente a Palavra santa, pela qual todos nós seremos julgados (Joa. 12:48). Todos eles estão sofrendo a influência de certos autores modernos, que em sua maioria se escondem sob uma capa da cultura bíblica, mas que, na realidade, são escravos da psicologia humanista, tendo como verdadeira religião o liberalismo predominante no mundo e, infelizmente, também na Igreja.

O que se vê em toda seita religiosa e hoje em muitas igrejas ditas “evangélicas” é um governo nicolaíta predominando, um tipo de governo que Jesus detesta – “Assim tens também os que seguem a doutrina dos nicolaítas, o que eu aborreço” (Apo 2:15). Certas igrejas do nosso tempo herdaram ou copiaram, por tradição, essa doutrina do Romanismo, e a Igreja do Senhor engrenou na estrada da apostasia, voltando ao redil do primado, do papismo, quando não publicamente, mas na maneira de agir e pregar suas doutrinas espúrias.

Sobre um governo nicolaíta, a Bíblia fala brevemente:

“Mas algumas poucas coisas tenho contra ti, porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, para que comessem dos sacrifícios da idolatria, e se prostituíssem. Assim tens também os que seguem a doutrina dos nicolaítas, o que eu odeio. Arrepende-te, pois, quando não em breve virei a ti, e contra eles batalharei com a espada da minha boca”. Apocalipse 2:12-16

O vocábulo nicolaíta é composto de duas palavras: ‘nicao, que significa ‘vencedor’ ou ‘conquistador’, e ‘laos’, que significa ‘laicato’, ou governo do povo. Portanto, nicolaíta é alguém que governa sobre o povo comum.  Utilizando termos eclesiásticos, uma definição mais ampla identificaria os nicolaítas como “os oficiais da igreja (bispos, prelados, pastores, sacerdotes, ministros, etc.) que conquistaram ou impuseram domínio sobre o povo leigo. Em outras palavras, nicolaítas são aqueles que mandam nos membros da igreja, como se estes fossem sua própria conquista. E isto é exatamente o que Deus odeia! Encontramos evidências disto em qualquer dicionário ou livro que fale de hierarquia eclesiástica. De fato, “hierarquia” implica poder e domínio. Maior evidência, encontramos na religião católica, quando esta, no concílio de Trento, declarou: “Se alguém disser que na Igreja Católica não exista uma hierarquia estabelecida por regulamento divino, consistindo esta de bispos, presbíteros e ministros, seja anátema.

O nicolaitismo era uma heresia que se formava já no fim da era apostólica, com os falsos mestres deturpando a Pureza da Doutrina de Cristo e seus Apóstolos. A doutrina nicolaíta concebeu a idéia de uma casta especial e superior na Igreja, ou seja, o chamado Clero. Indo além, formou-se a ideia de uma hierarquia eclesiástica dentro deste mesmo clero. Há uma grande probabilidade, lógica e historicamente, de que estes nicolaítas, dos quais muito pouco se sabe, sejam os formadores do pensamento Católico Romano e, portanto, seus antecessores. Eles estavam, no final do séc. I, infiltrados nas igrejas de Cristo como podemos ver no texto acima citado. Evidentemente, este desejo de EXERCER PODER SOBRE O POVO, disseminou entre muitos homens de liderança nas igrejas, movidos pelo instinto carnal de DOMÍNIO, pela soberba e pela torpe ganância de posição e riquezas. Especialmente entre os pastores das grandes igrejas, nos grandes centros, com congregações numerosas, tornava-se uma tentação estabelecer uma ostentação de poder sobre o rebanho e outros pastores de rebanhos menores.

Eis o porquê de estabelecer-se o “centro da igreja” e o “trono do Papa”, como o maioral e chefe máximo do Catolicismo em Roma. Sendo ela a capital e maior centro urbano de sua época, Roma permitia a que seus pastores nutrissem uma imagem de mais poderosos e importantes que os demais. É claro que, com o apoio de Constantino (no começo do séc. IV) definitivamente o Bispo de Roma conquistou esta supremacia. Fora com o Nicolaísmo que preconizou o erro de uma IGREJA UNIVERSAL com sede em algum lugar. Nem mesmo a primeira Igreja, formada por Jesus pessoalmente, em Jerusalém, tinha autoridade sobre as demais.

Vejamos em Atos 15, a postura da Igreja de Jerusalém com relação a Antioquia, como mãe que exorta a seu filho INDEPENDENTE num momento de necessidade, mas não considera justo lhe impor nada. Observe-se, ainda, o próprio falar dos Apóstolos Pedro e Tiago (que estavam em Jerusalém e não em Roma), como não exercem eles domínio sobre a Igreja, mas servem como conselheiros junto a Ela e com o Espírito Santo (vv.23,25 e 28).

Hoje em dia temos os nicolaítas (dentro da Igreja), aos quais se dá autoridade para governar as pessoas. Acontece, então, um sistema de duas classes, no qual a uma determinada pessoa do grupo é dada maior autoridade e preeminência sobre os crentes. Assim, nas igrejas, quando seus líderes são colocados em situação de superioridade administrativa ou organizacional, os membros são automaticamente classificados como inferiores! Os nicolaítas governam os crentes de maneira não bíblica, alguns crentes sujeitando-se de má vontade, e outros, voluntariamente.

O modelo é seguido de muito perto por alguns ramos protestantismo, sobretudo do pentecostalismo. Por ter uma organização mais democrática, com estabelecimento de conselhos e assembleias, as igrejas protestantes históricas são um pouco menos tentadas nessas áreas, embora não estejam imunes.

Percebemos, agora, de que maneira, sem que nos déssemos conta, desviamo-nos daquilo que Deus gosta e adotamos como prática aquilo que Ele odeia? No momento em que estabelecemos distinção entre ministros e leigos, líderes e liderados, pastores como “oficiais” e membros como “praças” da igreja, automaticamente estamos estabelecendo diferenças e nessas diferenças uns estarão situados em patamares superiores e outros estarão nos inferiores. Haverá membros superiores e membros inferiores. Acaso foi isso o que Cristo pregou?

Em Marcos, podemos ver claramente o ensino Jesus de que o grande é o que serve e não o que manda.

“Vocês sabem que aqueles que são considerados governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas. Não será assim entre vocês. Pelo contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo; e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo de todos. Pois nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”.  Marcos 10:42-45

E em Mateus:

“Mas vocês não devem ser chamados ‘rabis’; um só é o mestre de vocês, e todos vocês são irmãos. A ninguém na terra chamem ‘pai’, porque vocês só têm um Pai, aquele que está nos céus. Tampouco vocês devem ser chamados ‘chefes’, porquanto vocês têm um só Chefe, o Cristo. O maior entre vocês deverá ser servo.” Mateus 23:8-11

As igrejas que são constituídas por num sistema hierárquico, ou seja, nicolaíta, consiste num verdadeiro convite ao abuso religioso. Esse tipo de regime autocrático centrado na figura carismática de um pastor assentado no topo da pirâmide predomina nas igrejas mais novas, em especial nas pentecostais e neopentecostais surgidas nos meados do século passado. Claro que não podemos generalizar, pois nesse meio tempo também surgiram igrejas sérias, fundadas por homens de Deus, com único objetivo de pregar o verdadeiro evangelho e ganhar almas para o Reino de Deus.

Assim como os católicos têm o seu sacerdócio, agora, a maioria dos pentecostais tem os seus profetas e apóstolos. Os membros das igrejas carismáticas vivem buscando receber a unção do Espírito Santo e as revelações do seu pregador “ungido”. Esses nicolaítas ensinam que precisamos chegar até eles, ouvir suas “revelações divinas” a fim de recebermos bênçãos. Esta fonte é indicativa do que está hoje acontecendo no Cristianismo… E do que sempre aconteceu no Catolicismo Romano.

O pastor Paulo Romeiro escreveu no livro “Decepcionados com a Graça”:

“Em termos de governo, o neopentecostalismo verticalizou a igreja. O líder forte no topo da pirâmide, que não presta contas a ninguém, que toma decisões sozinho em questões financeiras e doutrinárias, acaba tirando das pessoas a oportunidade de funcionarem como um corpo, como deve ser a igreja. Em tais circunstâncias, os abusos se multiplicam. Alguns líderes religiosos têm dificuldade de administrar o poder”.

O pastor Ed René Kivitz, ao seu turno, comenta no livro “Feridos em Nome de Deus”, a respeito da frase bíblica “Não toqueis nos meus ungidos(Sl 105:15) a qual tem sido empregada para os mais variados fins para justificar, de certo modo, a doutrina nicolaíta. Maus obreiros e falsos profetas se valem dela para ameaçar seus críticos; crentes mal-orientados usam-na para defender certos “ungidos”; e outros ainda a empregam para reforçar a ideia de que não cabe aos servos de Deus julgar ou criticar heresias e práticas antibíblicas:

“Outro meio de abuso é o conceito difundido de que o pastor é o “ungido do Senhor”. Este conceito é do Velho Testamento. Muitas igrejas evangélicas, especialmente as pentecostais e neopentecostais tratam sua liderança como eram tratados os profetas do passado, com reverencia intocável. Isso tudo é coisa do Velho Testamento. No Novo Testamento não há hierarquização, todos somos sacerdotes, reis e profetas, somos nivelados (1Jo. 1:20/29; Ap. 1:5-6). Há hierarquia no governo eclesiástico, ou seja, o pastor é autoridade sobre o membro no que diz respeito ao governo da igreja, mas não no que diz respeito à experiência pessoal com Deus (2 Co. 1:24). O pastor não é intermediário entre o rebanho e Deus, este papel pertence a Jesus, único mediador entre Deus e os homens (Heb. 1:1; 1Tm2:5). A única mediação que existe é a de Jesus Cristo. Está errada essa visão do Antigo Testamento de que o pastor é um oráculo profético. Isso não tem espaço no cristianismo”.

Quando examinamos o contexto da frase “Não toqueis nos meus ungidos”, vemos que ela está longe de ser uma regra geral. Uma leitura atenta do Salmo 105 não nos deixa em dúvida: os ungidos mencionados são os patriarcas Abraão, Isaque, Jacó (Israel) e José (vv.9-17). Ademais, o título “ungido do Senhor”, neste específico contexto veterotestamentário, refere-se tipicamente, no Antigo Testamento, aos reis de Israel (1 Rs 12:3-5; 24:6-10; 26:9-23; Sl 20:6; Lm 4:20) e aos patriarcas, em geral (1 Cr 16:15-22).

Conquanto a frase não encerre um princípio geral, podemos, por analogia, afirmar que Deus, na atualidade, protege os seus ungidos assim como cuidou dos seus servos mencionados no Salmo 105. Mesmo assim, não devemos presumir que todas as pessoas que se dizem ungidas de fato o sejam. Lembre-se do que o Senhor Jesus disse acerca dos “ungidos”: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus(Mt 7.21).

Quando Paulo andou na terra, havia muitos “ungidos” ou que aparentavam ter a unção de Deus (2 Co 1:.1-15; Tt 1:1-16). O imitador de Cristo nunca se impressionou com a aparência deles (Cl 2:18,23). Por isso, afirmou: “E, quanto àqueles que pareciam ser alguma coisa (quais tenham sido noutro tempo, não se me dá; Deus não aceita a aparência do homem), esses, digo, que pareciam ser alguma coisa, nada me comunicaram(Gl 2:6).

Aparência, popularidade, eloqüência, títulos, poder, riqueza, status, anos de ministério… Nada disso denota que alguém esteja sob a unção de Deus e imune à contestação à luz da Palavra de Deus. Muitos dominadores, enganadores, ao serem questionados quanto às suas pregações e práticas antibíblicas, têm citado a frase em análise, além do episódio em que Davi não quis tocar no desviado rei Saul, que fora ungido pelo Senhor (1 Sm 24.1-6). Mas a atitude de Davi não denota que ele tenha aprovado as más obras daquele monarca. Se alguém, à semelhança de Saul, foi um dia ungido por Deus, não cabe a nós matá-lo espiritualmente, condená-lo ao Inferno. Entretanto, isso não significa que devamos silenciar ou concordar com todos os seus desvios do evangelho (Fp 1.16; Tt 1:10-11). O próprio Jônatas reconheceu que seu pai turbara a terra; e, por essa razão, descumpriu, acertadamente, as suas ordens (1 Sm 14:24-29).

O texto de Salmos 105.15 em nenhum sentido proíbe o juízo de valor, o questionamento, o exame, a crítica, a análise bíblica de ensinamentos e práticas de líderes, pregadores, milagreiros, cantores, etc. Até porque o sentido de “toqueis” e “maltrateis” é exclusivamente quanto à inflição de dano físico.

Após o Derramamento do Espírito de Deus e o fim da Lei cravada pôr Cristo na cruz do Calvário, rompeu-se a barreira, e hoje todos nós cristãos somos privilegiados de receber a unção do Espírito, sendo nós, reis, profetas e sacerdotes diante de Cristo, sem hierarquias ou castas especiais dentro da Igreja do Senhor.

“E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o príncipe dos reis da terra. Aquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados, e nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a ele glória e poder para todo o sempre. Amém.” Apocalipse 1:5-6

A unção de Deus é universal, recai sobre todos. Em I João 2:20 lemos: “E vós possuís unção que vem do Santo e todos tendes conhecimento.” No versículo 27 assim escreve o apóstolo: ”Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é falsa, permanecei nele, como também ela vos ensinou.” O texto é mais do que explícito. Todos somos ungidos e todos nós somos sacerdotes do Senhor conforme está escrito

“Vocês também estão sendo utilizados como pedras vivas na edificação de uma casa espiritual para serem sacerdócio santo, oferecendo sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus, por meio de Jesus Cristo. (…) Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.” 1 Pedro 2:5/9

Portanto, Pastor, Bispo, Presbítero, Diáconos, e etc., não são “unções” com a conotação dada pelos reverendíssimos e, sim, vocação do Espírito Santo de Deus – funçções dada a alguém para exercer dentro do organismo vivo, que é o Corpo de Cristo. São termos originalmente gregos que significam funções (apascentador, ajudador, ancião, organizador etc.), e não cargos hierárquicos, que denotem promoções e postos superiores. É comissionamento, é chamado, é vocação para realizar certa tarefa na igreja. Por isso, não vemos onde está esta unção especial defendida e requerida pela maioria dos pastores, principalmente os da linha pentecostal e neopentecostal, no que faz incorrer, malignamente, no estabelecimento de hierarquias (nicolaitismo) dentro do Corpo de Cristo.

Nicolaitas, não são portanto, como muitos pensaram, seguidores de um “tal Nicolau”, nem do papai Noel (São Nicolau), mas os partidários da ideia de uma hierarquia dominante dentro da Igreja. Esta heresia tem influenciado o pensamento de muitos religiosos que pensam galgar degraus dentro de um sistema religioso, por vaidades, por fama, por prerrogativas, por atingir uma status “mais espiritual” do que os demais. Por isto, alguns pobres infelizes “querem ser pastores”, sem a chamada Divina, e até brigam por isto. Mas não deve ser assim nas Igrejas de Cristo!

Entendemos de onde vem a doutrina dos nicolaítas, à qual Deus tanto odeia? Ainda que já existam exceções em congregações isoladas, que se libertaram do domínio de estruturas opressoras, o desejo de assenhorear-se do rebanho do Senhor pode estar escondido e pronto para brotar no coração de líderes das novas comunidades independentes, que Deus está suscitando. Por isso, fiquemos atentos, como ovelhas de Cristo só devemos submissão a Ele, nosso Supremo pastor, que não poupou Sua própria vida para salvar-nos. Entre nós, não pode haver mais líderes, autoridades, maiorais, mas apenas SERVOS – pois todos gozam do mesmo status: Em Cristo todos estamos.

Quando nosso Senhor Jesus Cristo caminhou entre os homens, ensinou seus discípulos a ter cuidado com o “fermento dos fariseus”, a quem denunciou como hipócritas. Sob a mesma designação, incluiu também o sumo sacerdote, os oficiais do templo e junto os mestres (escribas ou professores) das sinagogas. Jesus declarou que estes tinham corrompido a verdade de Deus, com as doutrinas e ensinos dos homens. A verdade, tal como originalmente lhes tinha sido dada, não estava mais com eles. Aquilo que eles chamavam a verdade de Deus, já não era tal, e lhes convertia em cegos e líderes de cegos, fazendo com que seus seguidores tropeçassem e caíssem. Portanto, como uma advertência a todos aqueles que se uniam a Ele, o Senhor disse que aqueles homens não espirituais, que faziam longas orações simplesmente para colocar-se em evidência, dando espetáculo público, embora parecessem ter um conteúdo de humildade, queriam tão somente ser vistos pelos outros.  O que realmente aqueles homens desejavam era ocupar os assentos mais importantes em todas as festas. Queriam as saudações que recebiam nos mercados, dos homens verdadeiramente humildes e sinceros, mas que pretendiam ser aceitos por seus superiores e lhes dirigiam a palavra, chamando-os: “rabino”, “chefe”, “mestre”, “meu profesor”. (Mat. 23:8-11)

Jesus acrescentou ainda que, os líderes religiosos de Seu tempo, tinham o desejo carnal de querer ocupar o posto mais alto perante os olhos dos que formam o povo de Deus. A esses líderes, acusou de  extorsão e de abusos, e também lhes denunciou como “devoradores de lares e de viúvas”. Cristo lhes repreendeu por ser hipócritas, que aspiravam chegar a ser autoridade nas congregações do Deus altíssimo. Idênticas condições, tal como essas que Jesus descreveu, existem hoje em dia nas diversas Igrejas. Embora seja correto que há necessidade de ordem no trabalho para Deus e que Ele aprovou que reconheçamos e consideremos aqueles que nos admoestam, pregam e ensinam, é preciso distinguir bem entre os que são líderes para servir e os que, em vez disso, querem governar, militarizar a igreja.

Por que devemos valorizar os que pregam e ensinam, guiando-nos e conduzindo-nos no Senhor, em lugar de nos governar? Porque todos aqueles que estão sobre nós no Senhor são nossos pastores. E pastores, como todos sabem, devem guiar e conduzir, não dominar sobre o rebanho. Governo é a administração de um sistema humano por humanos. Nós, a igreja, temos um governante que está nos céus e é Jesus, que em Seus mandamentos nos impõe as regras que todos devemos seguir e que nos conduz, como o faz o Bom Pastor. Mas, por outro lado, temos que estar imbuídos de um espírito de moderação, e não achar que o governo do Espírito Santo é aquele que é realizado por revelações, visões para isso e para aquilo. Isso é muito perigoso. Pode ter aparência de humildade, mas é o contrário, é carnal; é uma humildade fingida, a qual é nada mais nada menos que uma soberba refinada.

É preciso reconhecer as lideranças como homens, que são.  Pedro era líder entre os apóstolos, mas cometeu erros no exercício de seu apostolado,  mesmo sendo orientado pelo Espírito.  Pedro foi repreendido por Paulo, que era um “novato”  e foi uma repreensão pública (Gal. 2:14). Os apóstolos eram inspirados pelo Espírito, mas eles eram líderes e humanos passíveis de erros. O próprio Paulo reconhece um espinho na carne, que era nada mais nada menos que um emissário de Satanás. Não reconhecer fraquezas espirituais, humanidade, deficiências é negar a Graça.  Mas ajuntamentos humanos possuem líderes humanos que precisam ser reconhecidos
como tal.   Amanhã essas lideranças vão errar como em qualquer denominação acontece, poderão ser repreendidas, poderão voltar atrás, reconhecer erros, pedir perdão e acertar. Essa é a diferença de uma Igreja decente para uma igreja falsa, carregada de falsa humildade.

Erros como o de se pensar que os Pastores podem realizar Batismo ou ministrar a Ceia, efetivamente não tem base bíblica e provém do pensamento nicolaíta de que estes são uma categoria com “poderes” especiais. Se uma Igreja tem Pastor local, é evidente que, sendo este seu LÍDER espiritual deverá exercer tais funções mas, caso a Igreja não o tenha, deve entender que a autoridade para estes serviços foi dada à Igreja e Ela pode escolher um irmão local que tenha boas condições espirituais e esteja assim apto a liderar a Igreja em tão solenes atos. É claro que, se assim entender, a Igreja poderá também convidar o Pastor de uma Igreja irmã para lhe prestar estes serviços, embora não o seja absolutamente necessário. Jesus concedeu à Igreja esta autoridade e não ao pastor. Ele o faz, como servo (que é o verdadeiro significado da palavra MINISTRO) da Igreja.

Cristo estabeleceu irmãos com condições funcionais diferentes, apenas, na Igreja, mas isto foi feito apenas visando o melhor desenvolvimento dos crentes e organização da Igreja e não para estabelecer uma hierarquia dominante (Ef. 4:11-12 e 1 Cor. 12:12-31). Assim, era necessário que houvesse apóstolos, pastores, mestres, pregadores e evangelistas, mas isto não é uma corrente hierárquica onde um manda no outro, e o outro obedece servilmente. Cada um deles tem autoridade, mas só aquela concedida, na medida de suas limitações humanas e funcionais, não pelo título que ostenta, mas pela igreja, de acordo com o que o Espírito Santo lhe concede pela Palavra.

Todo Ministro de Deus deve ser respeitado por causa da sua função como líder e condutor espiritual da Igreja e como um irmão que seja um bom exemplo ao rebanho (Hebreus 13.7 e 17). Mas isto não o faz “dono da igreja” e todo pastor tem que tomar o cuidado de ser zeloso sem, no entanto, exercer domínio por força sobre o rebanho (I Pedro 5.1-4). Na Bíblia Vida Nova encontramos um bom estudo a respeito, no item 2.085 – “Características dos verdadeiros ministros” do que destacaríamos: Humildade, abnegação, gentileza, dedicação e afeto para com o rebanho. A atitude de poder sobre a Igreja é Diabólica e Maligna e, portanto, precisa ser totalmente rechaçada.

O movimento destas seitas dos “ungidos” tem contribuído para a união do pentecostalismo com a Igreja de Roma, pois todos têm a mesma teologia -Reconstrucionista/Dominionista – gerada no cérebro de Agostinho de Hipona, o qual foi canonizado como santo católico, pois sempre desempenhou um papel fundamental em favor dessa nefasta união.

Sendo assim, nosso papel como Ministros de Deus, seja Missionário, Evangelista, Professor (mestre), Pregador, Diácono ou Pastor, é o de SERVIR e não permitir que a síndrome de Lúcifer se aposse de nós, fazendo com que presumamos de nós mais do que realmente somos. Liderança é necessária para que haja organização, ordem, decência e, principalmente edificação, seja na Igreja ou em encontros de várias igrejas, jovens, e mesmo de pastores e obreiros. Mas nunca liderança em uma igreja cristã deve denotar o primado ou a superioridade entre os demais (Lucas 22.26). Isto estraga a comunhão, prejudica o aprendizado e a edificação dos participantes. Não sejamos como Diótrefes, um exemplo bíblico de nicolaíta que, buscando o primado, tantos males causou (3 João 9-10).

Que em tudo tenha Cristo a primazia (Col 1.18) e nós tenhamos nossos irmãos em consideração como superiores a nós mesmos (Flp. 2.3).

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Referências:

1.     Mary Schultze, 29/01/2008 – http://www.cpr.org.br/Mary.htm;

2.     Pr. Waldir Ferro, Sola Scripttura – solascriptura-tt.org

3.     Pr. Ciro Zibordi, Blog do Ciro – cirozibordi.blogspot.com.br

4.     Bíblia NVI – Nova Versão Internacional

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