Cristianismo: Estilo de vida

As Escrituras Sagradas é o livro cujo conteúdo traz a doutrina cristã (Novo Testamento, o Evangelho compilado), o “estatuto doutrinário” da Igreja. Pode-se recorrer a conceitos de Agostinho, a concepção tomista, ao pensamento luterano, institutas de Calvino, entre outros, mas com certeza, entre a palavra de qualquer um desses grandes pensadores em detrimento daquilo que se crer ser a Palavra de Deus, esta a última alternativa sempre será a ideal. Entre fundamentar o conceito de Igreja em encíclicas e resoluções de concílios, ou apostilas de seminários, é preferível reportar diretamente à origem, pois ali, sim, é certo estar contida a essência da mensagem cristã, e não a interpretação tendenciosa de quem quer que seja, para favorecer qualquer grupo, ideologia ou instituição.

Não devemos levar em consideração a “tradição oral”, pois sabemos que a mesma conflita em muitos pontos com os Escritos Sagrados, os quais apesar de terem sido compilados em um Concílio (de Nicéia), é fato que os mesmos não foram criados ali, e sim organizados, pois esses mesmos já circulavam nas primeiras comunidades cristãs do primeiro Século.

Se pegarmos o que Marx escreveu e reproduzir, então nós seremos marxistas. Se pegarmos e adulterara teoria, então não somos marxistas tal qual Marx propôs, e sim apropriamo-nos de alguns pontos, desconsideramos outros e acrescentamos outros mais, conforme nossas opiniões. Sendo assim, o “nosso marxismo” será diferente do original, o “marxismo de Marx”. Se nós pegarmos, então, a mensagem de Cristo (Evangelho) e a reproduzir – não apenas na teoria, mas, praticando-a, também, então, nós seremos cristãos – “Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou” (1Jo. 2:6). Se você a adultera a essência dessa mensagem, e ainda assim a prática, destoa totalmente da teoria, então é impossível associar uma coisa a outra (2 Joa. 9). Então, se queremos saber sobre a Igreja Cristã precisamos recorrer às Escrituras Neo-testamentárias, e não estudos e apostilas de seminários e faculdades teológicas.

E essa adulteração aconteceu com o cristianismo ainda na Igreja Primitiva, com os judaizantes e gnósticos, combatidos pelos apóstolos, como vemos nas Escrituras; depois vieram as heresias combatidas pelos chamados pais da Igreja, discípulos dos apóstolos e, por fim, graças à adaptação sob a qual o cristianismo fora submetido pelo Império. Ali nasceu a primeira “formatação”, a “institucionalização”, a “sistematização” à base de empulhações de tradições pagãs e caprichos subjetivos do Imperador e de outros papas, no decorrer do desenvolvimento católico. Apropriaram-se de alguns rudimentos da fé cristã e surgiu o “outro evangelho” (Gal. 1:7), o que muitos hoje insistem em rotular como “cristianismo”.

Muitos “teólogos”, “líderes”, “estudiosos seminaristas” ou simples membros autodidatas, ao tomarem ciência pela Escrituras que esse estilo “pseudo-cristão” não condiz com a mensagem do Evangelho de Cristo, acabam resistindo a verdade, por força das suas conveniências institucionais, numa omissão covarde, preferindo sustentar uma “mensagem adulterada” do que zelar pela Verdade conforme as Escrituras.

Essas “mentiras” seduzem a muitos. As suas “sofisticações doutrinárias” levam leigos, e até sabedores da verdade aos interesses escusos do sistema religioso. Porém, sempre haverá os que refutam tais “meias verdades” ou mentiras escancaradas, debaixo de acusações e ataques por enfrentarem o sistema, o status quo sob o qual muitos são formatados e emoldurados.

Os cristãos, verdadeiramente, sempre estiveram à parte dessa manobra política, resistindo a tal sistematização, pagando muitos com a própria vida. Negar isso é negar a história. O cristianismo que Cristo nos legou, também jamais foi sufocado, jamais deixou de existir. Atravessou todos os períodos históricos, com pessoas que não se vergaram ante as gigantes instituições e sistemas rolos-compressores que vinham esmagando tudo e todos. Esses cristãos estiveram na história sempre apegados a Jesus Cristo, aos seus ensinamentos, de maneira prática, não nacionalista, não partidarista, não exclusivista, não sectarista; ainda que fossem rotulados de loucos, revolucionários ou simplesmente “infantis”. O compromisso sempre foi com Cristo e para Cristo, pelo Evangelho.

O cristianismo deve produzir cristãos, os quais devem tão-somente ser reprodutores da mensagem de Cristo, contida no Evangelho (Escrituras Sagradas).

A única coisa que Jesus nos pediu foi que amássemos uns aos outros como ele nos amou. Lamentavelmente, é a única coisa que nós realmente não fizemos. Por dois mil anos de história religiosa, não aprendemos a amar uns aos outros. Somos conhecidos por brigar entre nós, por discordar sobre o que cremos, por estarmos mais preocupados com nossa doutrina do que amar as pessoas. Paulo nos alertou em 1 Coríntios 13: é possível estarmos certos sobre tudo, mas sem amor no coração, pouco ou nenhum proveito terá nossa retidão teológica.

Certa vez um famoso cantor disse: “Se Deus criou as pessoas para amar, e as coisas para cuidar, por que amamos as coisas e usamos as pessoas?” E é exatamente isso que esta acontecendo conosco, cristãos. Amamos muito mais as coisas, nossas instituições e tudo aquilo que dela deriva, em prejuízo ao relacionamento com o próximo.

Jesus veio para nos tornar pessoas que amam. O problema ocorrido muito cedo em nossa história cristã é que passamos de pessoas que estavam encontrando amor no Pai para pessoas que exercitam a religião “cristianismo” aos moldes institucionais. Nós acreditamos que Jesus veio a esse planeta para fazer ruir no espírito humano aquilo que procura o consolo falso de todas as religiões, inclusive do cristianismo. Ele não começou o cristianismo; fomos nós que o fizemos com nossas tentativas humanas de tomar os ensinamentos dele e, com base nele, construir a nossa própria religião. Jesus nunca quis que fôssemos presos à religião. Ele veio nos convidar a um relacionamento com o Pai dele, por meio do qual podemos ser transformados. Não conseguiremos de outro modo. Acreditar em qualquer coisa diferente disso nos fará fabricar novas regras e criar um sistema que premie os cristãos que melhor seguirem tais regras, distinguindo-os dos demais.

Tantas pessoas no mundo inteiro – Europa, África do Sul, Austrália, Índia – estão ficando esgotadas pela nossa religião cristã. Lêem a Bíblia, oram, tentam ser justas, reúnem-se com outros cristãos, obedecem à rotina religiosa, mas continuam vazias por dentro, desconfiadas de não estarem fazendo as coisas certas. Não lhes resta outra coisa senão se esforçarem ainda mais. O resultado final é esgotamento.

 O cristão vive uma vida comum, tal qual sempre viveram, testemunhando sua fé através da conduta diária, no exercício da fé cristã com o próximo. E esse entendimento foi exemplarmente exposto na “Carta a Diogneto”, uma correspondência que relata a conduta cristã nos primórdios do cristianismo. Considerada a “Jóia da literatura cristã primitiva”, a Carta de Diogneto foi escrita cerca do ano 120 d.C., por um cristão anônimo respondendo à indagação de Diogneto, pagão culto, desejoso de conhecer melhor a “nova religião” que se espalhava com tanta rapidez pelas províncias do Império Romano. Apresentamos aqui apenas um pequeno trecho, mas creio que nela está o “grande segredo” do motivo pelo qual a Igreja antiga prevaleceu em glória e aprovação divina; enquanto nós hoje andamos debaixo de artificialismos institucionais, atados a caprichos de organizações religiosas, tolhidos em nossa identidade:

Os cristãos não se distinguem dos demais homens, nem pela terra, nem pela língua, nem pelos costumes. Nem, em parte alguma, habitam cidades peculiares, nem usam alguma língua distinta, nem vivem uma vida de natureza singular. Nem uma doutrina desta natureza deve a sua descoberta à invenção ou conjectura de homens de espírito irrequieto, nem defendem, como alguns, uma doutrina humana.

Habitando em cidades Gregas e Bárbaras, conforme coube em sorte a cada um, e seguindo os usos e costumes das regiões, no vestuário, no regime alimentar e no resto da vida, revelam unanimemente uma maravilhosa e paradoxal constituição no seu regime de vida político-social.

Habitam pátrias próprias, mas como peregrinos: participam de tudo, como cidadãos, e tudo sofrem como estrangeiros. Toda a terra estrangeira é para eles uma pátria e toda a pátria uma terra estrangeira.Casam como todos e geram filhos, mas não abandonam à violência os recém-nascidos. Servem-se da mesma mesa, mas não do mesmo leito.

 Encontram-se na carne, mas não vivem segundo acarne. Moram na terra e são regidos pelo céu. Obedecem às leis estabelecidas e superam as leis com as próprias vidas.Amam todos e por todos são perseguidos. (…)

 A felicidade não está em oprimir o próximo, ou em querer estar por cima dos mais fracos, ou enriquecer-se e praticar violência contra os inferiores. Desse modo, ninguém pode imitar a Deus, pois tudo isso está longe da sua grandeza. Todavia, quem toma sobre si o peso do próximo, e naquilo em que é superior procura beneficiar o inferior; aquele que dá aos necessitados o que recebeu de Deus, é como Deus para os que recebeu de sua mão, é imitador de Deus. Então, ainda estando na terra, contemplarás porque Deus reina nos céus.

O autor do documento histórico relata que eles (cristãos) viviam normalmente, inseridos na sociedade, desenvolvendo suas atividades cotidianas assim como nós devemos viver, comprovando nossa fé não pelo isolacionismo, sectarismo ou orgulho denominacional, e sim pelo comportamento contracultural do secularismo estabelecido como padrão a ser seguido. O cristianismo (bíblico) sempre gerou e gerará cristãos que aplicam sua vida à prática da doutrina de Cristo.

Cremos que era assim no passado, e como o Evangelho é eterno (1 Pe. 1:25; Ap. 14:6), não existe justificativa plausível para haver tanta adulteração, distorção, mudança. O Evangelho era, é e há de ser o único, tal qual Cristo ensinou aos seus apóstolos e discípulos e legou-nos pelas Escrituras. O Evangelho não precisa ser adaptado, atualizado para o tempo presente. O Evangelho não são usos e costumes, cultura, tradição, enfim, ou demais valores humanos e sociais. Evangelho são valores, sentimentos da pessoa Deus brotados em um ser humano que nasceu de novo pelo Espírito, os quais, foram perdidos pelo pecado, e o Senhor deseja resgatar-nos para que reflitamos a glória de Deus e anunciemos a Salvação no Filho, por nossas boas obras (Ef.2:10; Tg. 2:26; Tg. 3:13)

Ser cristão é viver nesse mundo, ainda que não tendo a identidade dele. Se vivermos aqui, convivemos com tudo. Por isso, gostamos das variadas coisas, conversamos, lemos, assistimos desde a religião a política, curtimos desde cinema a futebol, enfim, somos cristãos, e somos um ser humano também. Em outras épocas, já tivemos postura fundamentalista, exclusivista, no que tange a comportamento e até mesmo à placa denominacional. Defendíamos com unhas e dentes uma facção religiosa que fazíamos parte. Falávamos como menino, sentíamos como menino, discorríamos como menino, esquecíamos dos princípios cristãos para enaltecer uma Instituição ou mesmo discriminar e menosprezar pessoas, seja cristãs ou não, como meros meninos. Hoje, porém, acabamos com as coisas de meninos, e entendemos que ser cristão é muito diferente do que ser um partidarista religioso que hasteia a bandeira denominacional por aí afora, exalando o ar de superioridade, como fosse pertencente a um grupo mais espiritual do que outro.

Esse “cristianismo institucionalizado” é quem ao longo dos tempos tem gerado figuras excêntricas, híbridos multiformes, tais como Papas-chefe-de-Estado, Pastores-supervisores-de-igrejas-empresas, Pastores-marqueteiros-propagandistas-de-placa-denominacional, Pastores-políticos, Pastores-animadores-de-auditório, até Pastores-stand-up-comedy etc. Nessa amálgama pseudo-cristã de hoje em dia, encontramos de tudo.

Muitos ficam indignados quando as Denominações (desde a Católica às milhares protestantes- tradicionais, pentecostais ou neo-pentecostais) são criticadas. Tais que advogam em defesa desses “partidos” muitas vezes sequer mobilizam-se para difusão prática do evangelho, que não tem placas ou CNPJ, sequer sede própria ou um modelo padrão de edifício (regrado a luxo pompa, com cargos a base de politicagem e interesses). São omissos quando encontram nas Escrituras de forma categórica uma reprovação a essa religiosidade, seja por Cristo, seja pelos apóstolos junto aos fariseus, gálatas e afins, levando o ser humano ao entendimento do reino de Deus, e da simplicidade que há em ser cristão.

Esse sentimento patológico pela instituição, essa “CNPJolatria” insensata, esse denominacionalismo obstinado, essa fidelidade convencional e institucional inescrupulosa que no leva a canto nenhum, esse corporativismo incondicional, esse frenesi de hastear bandeira da denominação, dá-nos tristeza ao compararmos com a simplicidade e pureza de viver Igreja à época dos apóstolos . Quando o nosso compromisso deveria estar com o Evangelho, e com o Senhor do Evangelho, está em segundo ou terceiro plano, pois nossa prioridade é se elevar em detrimento do outro, discutindo doutrinas, enaltecendo as virtudes institucionais, satisfazer a instituição à base de ordens de líderes mercenários e interesseiros. E quando acordamos desse “coma”, o que nos resta é chorar e amargurar nossas misérias, mazelas e escândalos.

Cumprimos protocolos, obedecemos a rituais, usamos palavras, gestos e atos que expressam nosso pretenso “zelo” espiritual, mas que não geram arrependimento, mudança de atitude e transformação. Não passam de meras representações teatrais e hipocrisias para se manter as aparências e não ser perseguidos pelos líderes da denominação. Estamos cheios desses “artistas”, que pregam, profetizam, cantam, tocam, vivendo medíocre e institucionalmente, não experienciando a verdadeira vida, dirigida, sustentada e alimentada pela Palavra, manifesta numa consciência tranquila, num coração em paz com Deus.

Essa atual roupagem institucional secular e mundana não pode vestir a noiva do cordeiro, pois não são vestes de santidade, de justiça, brancas, limpas, puras. A roupagem institucional está maculada, suja e impura. Está cheia dos ácaros da ganância, da maldade, do engano, da fome incontrolável por controle, do desejo desesperado de poder, do pensamento obstinado de “ser”, sem “fazer”, só para dizer que “é”, quando na verdade não “é”, e sim “está”, pois breve passará como um vapor, breve secará com uma folha caída, e aí, não haverá mais tempo nem forças para empreender naquilo que é bom, perfeito e agradável, que se perpetua para o louvor e a glória de Deus.

Enquanto uns posicionam a favor do Evangelho, outros preferem defender e lutar em prol de um sistema, uma Instituição, uma doutrina anti e extra-bíblica.

Ninguém é obrigado a nada, as pessoas optam. Mas os cristãos estão sobre a face da Terra, sem preocupação denominacional, sem preocupação de “defender” a doutrina do Vaticano, ou a de Lutero, ou a de Calvino, ou a de quem quer que seja. Para quê? Se há apenas um NOME acima de todos os nomes, ao qual somos servos?

Não cremos que ser um cristão em nossa sociedade hoje seja “querer fundar uma nova instituição”. Ao entendermos a real face do cristianismo, em essência, não é ter uma nova proposta religiosa ou nova Instituição, é um estilo de vida que reprova o mundanismo e a religiosidade, sem fazer força, simplesmente vivendo de maneira prática a doutrina de Cristo, crendo no poder inspirador do Espírito de Deus para isso, sem a complexidade litúrgica, imposições humanas, cobranças da tradição ou as inúmeras “inovações” ou “novas visões” interpretadas e reinterpretadas por “doutores” que se julgam muitos sábios.

Não queremos, através deste artigo, de maneira nenhuma, fazer crer na “nossa verdade”, até porque isso não é uma teoria particular. Não é nosso. É bíblico, está lá. É de Cristo. Não está num livro que nós editamos, está registrada na Bíblia Sagrada. Porém, se o leitor não considerar o Evangelho como verdadeiro, inspirado, sendo esse a condensação da doutrina de Cristo aos homens, então cremos que deva ignorar tudo isso que dissemos. Para nada aproveitará essa leitura.

Não consideramos a nossa postura cristã como “tendência”, “modismo”, “utopia”, “pós-modernismo”. Consideramos como bíblica. Simples e objetiva. Sem delongas, demagogia, hipocrisia ou formalismo. Esse cristianismo que nós dissemos aqui tem sido vivido por muitos, em muitas partes do mundo. Talvez seja uma resposta aos modelos do “pseudo-cristianismo” que temos hoje no “mercado”, e que já começam a apresentar um quadro de falência generalizada, traduzida nos disparates desses tais grupos, em todo lugar, independente se estão ligados ao clero católico, ortodoxo ou protestante, distantes do cristianismo em sua essência, conforme as Escrituras.

Procuramos reproduzir o evangelho. Foi isso que Cristo orientou – “Pregar O EVANGELHO a toda criatura”. Porém, se querem substituir os ensinamentos de Cristo por tradições humanamente confeccionadas, por interesses institucionais, então, é opção de cada um. O livre-arbítrio é meu e é seu também.

Faça sua escolha.

As mesmas Escrituras que cremos é a que você lê, nós também lemos, portanto, é só verificar o que a Bíblia diz.

 

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Referências:

1.      Igrejas nos Lares – http://www.igrejasnoslares.com.br;

2.      Missão Cristo em Vós – http://www.cristoemvos.com.br;

3.      Grupo News – http://www.gruponews.com.br;

4.      Bíblia NVI;

5.      Carta à Diagneto;

6.      E outras obras literárias;

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