Respostas Bíblicas

Existem vários exemplos de abuso espiritual na Bíblia. No livro de Ezequiel, por exemplo, Deus descreve e condena os “pastores de Israel” que apascentam a si mesmos e não as ovelhas, que não cuidam das doentes, desgarradas e perdidas, mas dominam sobre elas com rigor e dureza (Ez. 34:1–10). Jesus reagiu com indignação contra os cambistas no Templo, que exploravam os fiéis (Mt. 21:12–13; Mc. 11:15–18; Lc. 19:45–47; Jo. 2:13–16), e também contra aqueles que se importavam mais com suas próprias interpretações da Lei do que com o sofrimento humano (Mc. 3:1–5). Em Mateus 23, Jesus nos dá uma importante descrição dos líderes espirituais abusivos.

Em suas cartas, Paulo argumenta contra aqueles que queriam impor um cristianismo legalista, aos gálatas teceu duras palavras contra os falsos mestres: Essa questão foi levantada porque alguns falsos irmãos infiltraram-se em nosso meio para espionar a liberdade que temos em Cristo Jesus e nos reduzir à escravidão. Não nos submetemos a eles nem por um instante, para que a verdade do evangelho permanecesse com vocês.” (Gl. 2:4-5), e à igreja, em seguida, repreendeu: “Sabemos que o ninguém é justificado pela prática da lei, mas mediante a fé em Jesus Cristo. (…) Gostaria de saber apenas uma coisa: foi pela prática da lei que vocês receberam o Espírito, ou pela fé naquilo que ouviram? Será que vocês são tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, querem agora se aperfeiçoar pelo esforço próprio?” (Gl. 2:16a e Gl. 3:2-3).

Aos colossenses, Paulo emitiu colocações tão sugestivas que até os legalistas de hoje devem ficar envergonhados: “Já que vocês morreram com Cristo para os princípios elementares deste mundo, por que é que vocês, então, como se ainda pertencessem a ele, se submetem a regras: “Não manuseie!” “Não prove!” “Não toque!”? Todas essas coisas estão destinadas a perecer pelo uso, pois se baseiam em mandamentos e ensinos humanos.  Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne.” (Cl. 2:20-23). Legalistas que, não obstante tais palavras, ainda sim vivem subvertendo a mensagem do evangelho. Existem muitos outros exemplos na Bíblia.

Jesus Cristo era Deus encarnado, a segunda Pessoa da Trindade, o Criador do universo. Ele, obviamente, tem a mais alta e soberana autoridade espiritual. E mesmo assim, Jesus não usou essa autoridade para subjugar seus discípulos; ele não abusou de sua autoridade para colocá-los sob o jugo de regras e regulamentos legalistas. Ao contrário, ele disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mt. 11:28–30).

Nem tampouco Jesus procurava manter as aparências externas, preocupado com a opinião de juízes da vida alheia. Ele comia com publicanos e pecadores (Mt. 9:10–13). Aos fariseus legalistas, Jesus aplicou as palavras de Isaías: “Bem profetizou Isaías acerca de vocês, hipócritas; como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão me adoram; seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens’. Vocês negligenciam os mandamentos de Deus e se apegam às tradições dos homens”. E disse-lhes: “Vocês estão sempre encontrando uma boa maneira para pôr de lado os mandamentos de Deus, a fim de obedecer às suas tradições!” (Mc. 7:6-9). Ele condenou a atitude deles: Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês são como sepulcros caiados: bonitos por fora, mas por dentro estão cheios de ossos e de todo tipo de imundície. Assim são vocês: por fora parecem justos ao povo, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e maldade.” (Mt. 23:27–28).

Jesus escandalizava os falsos moralistas do seu tempo com suas ações e comportamento nada apreciáveis aos olhos da religião. Os fariseus gostavam de se justificar exteriormente, através de hábitos legalistas, pois acreditavam na lógica de que espiritualidade dependia fundamentalmente do rigor exterior para, assim, alcançar a purificação interna. Jesus disse que isso era errado, e a verdadeira espiritualidade desenvolvia-se de dentro para fora, exatamente o contrário. Não tinha nada a ver com costumes, hábitos e alimentos – “Será que vocês ainda não conseguem entender?”, perguntou Jesus: “Não percebem que o que entra pela boca vai para o estômago e mais tarde é expelido? Mas as coisas que saem da boca vêm do coração, e são essas que tornam o homem ‘impuro’. Pois do coração saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as imoralidades sexuais, os roubos, os falsos testemunhos e as calúnias. Essas coisas tornam o homem ‘impuro’; mas o comer sem lavar as mãos não o torna ‘impuro’” (Mt. 15:17-20). Jesus quis dizer que o legalismo religioso, que o apego às aparências externas, nada produz para a fé e pureza, antes escraviza as pessoas – “Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem movê-los” (Mt. 23:4).

 Jesus disse, em outras palavras, que o pecado sai de dentro do homem, nasce no coração para sair pelos atos e palavras corruptas e corruptíveis, e não por forças exteriores. A culpa do pecado nascer não é por motivações exteriores, mas da própria consciência do homem. O pecado se consuma não quando você o pratica, mas quando ele já nasce em seu coração. A prática pecaminosa é apenas a exteriorização de uma alma carnal (Mt. 5:28). Quem só ver maldade e pecado em hábitos e ações, para Jesus, só pode estar, previamente, com a consciência impura e alma em pecado – “A candeia do corpo é o olho. Sendo, pois, o teu olho simples, também todo o teu corpo será luminoso; mas, se for mau, também o teu corpo será tenebroso” (Lc. 11:34).

Fora esse mesmo raciocínio de Paulo, quando disse que “Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os contaminados e infiéis; antes o seu entendimento e consciência estão contaminados.” (Tt. 1:15)

 Se não era pelos hábitos exteriores, Jesus, então, disse qual o verdadeiro instrumento para se conhecer a espiritualidade de alguém: “Pois veio João Batista, que jejua e não bebe vinho, e vocês dizem: ‘Ele tem demônio’. Veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e vocês dizem: ‘Aí está um comilão e beberrão, amigo de publicanos e “pecadores” ’. Mas a sabedoria é comprovada por todos os seus discípulos” (Lc. 7:33-35).

Jesus não era paranóico como os líderes abusivos que gostam de jogar a capa do obscurantismo sobre seus atos e decisões. Seu ministério era transparente ao público (Jo. 18:19–21). Ele não tinha nada a esconder. Jesus não só criticou os líderes religiosos por suas doutrinas errôneas (Mt. 15:1–9; 23:1–39; etc.), mas também, quando criticado, ele não os silenciou, mas deu-lhes respostas bíblicas e racionais às suas objeções (e.g., Lc. 5:29–35; 7:36–47; Mt. 19:3–9). Dessa mesma forma, Paulo instruiu seu discípulo Tito: “E apegue-se firmemente à mensagem fiel, da maneira como foi ensinada, para que seja capaz de encorajar outros pela sã doutrina e de refutar os que se opõem a ela. Pois há muitos insubordinados, que não passam de faladores e enganadores, especialmente os do grupo da circuncisão. É necessário que eles sejam silenciados, pois estão arruinando famílias inteiras, ensinando coisas que não devem, e tudo por ganância” (Tt. 1:9-11).

Jesus, ainda que ensinasse a Lei perfeita de Deus, colocava as necessidades legítimas das pessoas acima de regras ou regulamentos legalistas (Mt.12:1–13; Mc. 2:23–3:5). Ainda que nenhum ser humano crente em Cristo seja absolutamente perfeito nessa vida (1 Jo. 1:8), podemos saber que já temos vida eterna (1 Jo. 5:10–13; Jo. 5:24; 6:37–40; Rm. 8:1–2).

Os fariseus eram um exemplo de líderes espirituais abusivos: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas!” (Mt. 23:23).

Infelizmente nos dias de hoje, parte da igreja de Cristo fundamentado numa percepção distorcida das Escrituras Sagradas, afirmam que o espírito de amor cristão é absolutamente incompatível com a denúncia crítica e negativa dos erros da igreja. Ora, o Senhor Jesus Cristo denunciou os falsos mestres e as suas distorções doutrinárias. Ele os denunciou como “lobos vorazes”, “raposas”, “raça de víboras”, “sepulcros caiados” e “guias cegos”. O apóstolo Paulo ao tratar de alguns destes sem titubeios afirmou: “o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia”, “falsos apóstolos”, “obreiros fraudulentos”, “lobos devoradores”, “insensatos” etc. Entretanto, fundamentados numa espiritualidade piegas, algumas pessoas continuam defendendo a causa que não devemos julgar o próximo, até porque Cristo nos mandou que amássemos uns aos outros.

Talvez ao ler este artigo você esteja a pensar: Isso mesmo, quem somos nós para julgar alguém? Não foi o Senhor que disse que não devemos julgar para que não fôssemos julgados?

Quando o Senhor Jesus advertiu contra o juízo temerário (Mt 7:1-6), Ele não estava declarando pecaminoso e proibido toda e qualquer forma de juízo. Dentro do contexto de Mateus nosso Senhor nos induz a discernir quem é cão e porco para que não se desperdice a graça de Deus. Julgar não é pecado! Afinal o próprio Deus exerce juízo. Ele mesmo nos ordena exercer o discernimento, que, diga-se de passagem, é o dom mais ignorado, e talvez o mais odiado hoje em dia.

Cristo julgou os escribas e fariseus pelo seu comportamento hipócrita e doutrinariamente distorcido (Mt. 23:1-36). Se o julgar não é o papel de um homem de Deus, então creio que tanto os profetas do Antigo Testamento como os apóstolos devem ser despidos deste título! O que falar então dos crentes de Béreia? Ora, diz a Bíblia que eles não engoliam qualquer ensinamento, antes pelo contrário, verificavam se o ensino estava de acordo com a sã doutrina.

A questão é que os adeptos da promiscua teologia da prosperidade, fazem do juízo temerário uma interpretação conveniente, onde aliado ao ensinamento de que não se deve tocar no ungido do Senhor, propaga-se a doutrina do amor que não denuncia.

A Igreja do Senhor, possui um compromisso com verdade e que a verdade deve prevalecer em todos os momentos e circunstâncias.

comentários
  1. Carlim disse:

    Trabalho excelente amigo, gostei bastante, muito esclarecedor…. gosto de ler algumas coisas aqui porque te abre a mente… você começa a entender tipo as engrenagens de como funciona as estratégias da ldierança… Você foi pastor da ICM?… creio que seja impossível alguem ler esse artigo e depois nao sair realmente “convertido” a respeito das cosias praticadas na icm… Continue assim… Particularmente tem me ajuda muuuuuuuito…

    apdsj

  2. Carlomino disse:

    Muito esclarecedor. gostei bastante. Acho que todos nós da icm deviamos dar oportunidade ao que está escrito nisto aqui, e entenderíamos muita coisa. A parte dos 18 intes são muito esclarecedoras. É até impressionante como as atitudes da liderança da icm se assemelha a outras denominações.

    Já estou com data marcada para sair da icm, prometi para mim mesmo e ao Senhor que assim que minha esposa resolvr umas coisas pendentes sairemos da icm… Não há como ficar mais naquele local… e esse povo da icm só sabe amaldiçoar e roga pragas nos outros, é por essas e outras que não dá mais… cansei da icm. Quero é Jesus! Quero uma igreja de verdade!

  3. deiwson disse:

    Essas criticas fortaleceram mais a minha fé, se ICM não fosse obra de Deus e de seu projeto, certamente não seria criticada dessa forma. Mas as coisas de Deus são assim, incomodam as trevas.

  4. Eduardo Otto disse:

    Interessante a leitura.

    Fico na dúvida se tudo o que está escrito realmente é “transcrito” nos livros citados na referências, ou se tendenciosamente foi colocado de forma a se assemelhar ao que acontece na seita ICM.

    No mais, muito boa a leitura.

    Graça e paz.

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