Metodologia Religiosa

1. Exclusivismo

O Exclusivismo religioso é o sentimento nutrido por uma religião que prega ou que dá a entender que a vontade de Deus está presente exclusivamente em um grupo ou que um grupo pode deter, exclusivamente, a benção e o conhecimento mais evoluído do plano de Deus. O indivíduo seduzido por esse ensinamento acredita, no seu íntimo, que é melhor e mais abençoado que os outros cristãos, e é detentor de verdades mais elevadas, e da revelação mais plena do desejo de Deus para o Seu povo. Uma pessoa exclusivista é facilmente reconhecida pela sua tendência de querer ensinar sempre,  dar sempre, mas nunca receber, já que os demais cristãos estão em um nível inferior de conhecimento e não podem, por isso, trazer-lhe a “nova luz”, “a revelação”. O exclusivista não sabe o que significa comunhão, não sabe ouvir, não consegue ver nada de aprovável nos demais grupos. Ele se fecha em si mesmo e no seu grupo. Não consegue participar de nenhuma atividade promovida pelos demais grupos. Quando fala dos outros, sempre usa o tom professoral, crítico ou mesmo de misericórdia com os fracos na fé, exalando o ar de superior. Normalmente, os exclusivistas são pessoas soberbas, altivas e distantes. São conhecedores superficiais da Palavra de Deus, pois costumam basear sua convicção mais em “revelações” e interpretações próprias da Bíblia.

Na Maranata, o exclusivismo foi gradativamente desenvolvendo-se entre os fundadores e os membros à medida que o ensino sobre a sua fundação miraculosa foi sendo repetidamente reforçado durante os anos e à proporção que iam surgindo novas práticas e costumes doutrinários, vendidos à massa como “revelados pelo Senhor”. Em razão disso tudo, os membros, em sua ignorância, passaram a expressar a altivez e pretensão do exclusivismo religioso ao referir-se à sua igreja como “a Obra”. O exclusivismo da Maranata se evidencia em três pontos:

a) Superioridade Organizacional: Acreditam que a fórmula particular de administração e litúrgica da Instituição é a verdadeira, e não aceita as das demais igrejas simplesmente porque são diferentes ou, do ponto de vista deles, não são tão espirituais. A aversão ao ritualismo religioso dos outros, por fim criou-se o ritualismo próprio, igualmente sectário, frio e impessoal, dada a “superioridade espiritual” do grupo;

b) Superioridade Espiritual: Acham que são mais espirituais que os demais irmãos. Nutrem o sentimento bipolarizado na comunhão e tratamento com o próximo, criando inconscientemente dois grupos distintos: o primeiro formado por eles, os da “Obra” e o segundo, formado pelo demais cristãos, os da “religião”. Designam os demais cristãos com pronomes e adjetivos pejorativos e esnobes. Tal sentimento faccioso na maioria das vezes é involuntário devido ao instinto exclusivista que lhe fora emulado dentro desta atmosfera. Tal superioridade apenas semeia discórdia e aniquila a sabedoria e o conhecimento, levando o grupo para as trevas da ignorância;

c) Superioridade Doutrinária: crêem que detêm “a revelação” e que os “pobres irmãos que não são da Obra” não a possuem e por isso estão em um nível inferior tanto na doutrina quanto no crescimento de vida, revelando apenas o engano do “falso crescimento” e do pecado de presunção.

1.1. Idolatrismo

A Idolatria significa adoração de ídolos, amor excessivo. Os ídolos são representações de uma divindade, objetos de paixão, veneração e de amor. A Igreja Maranata, em razão de seu exclusivismo, desembocou na criação de um ídolo, não concreto, mas abstrato. Esse ídolo, na verdade, é um Egrégoro, que é uma entidade criada a partir do espírito coletivo pertencente a uma assembléia específica, gerada pelo sistema de conceitos, valores, assim como pelas energias emocionais e mentais de várias pessoas convergidas no sistema. O sistema religioso gerou o egrégoro denominado de “Obra”. Esse ídolo se manifesta através do Presbitério e, por consequência, mediante aqueles que têm mais influência na igreja local, e, através deles, todas as suas ações da “Obra” convergem para a preservação e propagação de seu nome, imagem, sistema e interesses.

Por conta do exclusivismo, do isolacionismo, dos mantras, jargões e estereótipos do sistema, este ídolo se fortaleceu e inundou a mente dos adeptos da Maranata com paixão ao ídolo “Obra”. Ele não tem compaixão, vive para sua própria sobrevivência, pois sua vitalidade é formada pela mentalidade do sistema arraigada no coração apaixonado dos membros, tornando-o totalmente dependente do seu cultivo nos corações dos membros. Dada ao entusiasmo, ou mesmo pelo estado de êxtase causado pelo envolvimento na atmosfera do sistema, os membros fazem tudo para a satisfação “dessa Obra”, louvam-na como “Maravilhosa”, “Revelada” e “Gloriosa”, ovacionam-na como “Única” e “Perfeita”, proclamam-na como “Forma de Vida” e, por fim, conclamam todos os membros, em espírito de incitação e bravura, a sempre enaltecê-la e adorá-la – “Amamos essa Obra” como o fundamento e meio imprescindível para a espiritualidade e salvação deles.

A pessoa de Cristo, enquanto isso, é jeitosamente relativizada como fundamento de suas vidas. Embora ensinem e falem sobre o valor da pessoa do Senhor, a verdade é que, na prática, tornaram-no, como mero meio de se achegar àquilo que é fundamental para os membros – “A Obra”. A “Obra”, então, com o tempo, se tornou alcunha do sistema religioso da Maranata ou mesmo uma associação direta à Instituição. Espontaneamente, os fiéis não se referem a sua igreja pela denominação (Igreja Maranata), senão sempre como “a Obra” (“Igrejas da Obra”, “louvores da Obra”, “Só a Obra tem doutrinas reveladas”, “Apenas a Obra conhece o segredo do clamor pelo sangue”, “Não existe Obra como essa” , “Para onde iremos nós, se só na Obra há palavras de vida eterna?”, “Quem for fiel e valente, virá para a Obra” etc.), evidenciando, assim, o sentimento elitista, eugênico, exclusivista, por que não dizer, idólatra, que permeia em seus corações.

Ainda que os membros se justifiquem, constrangidos, que a “Obra”, na verdade, é um projeto de Deus irretocável, na vida do homem ou que ela existe em outros lugares, na prática mesmo, esse projeto se expressa e se traduz, em sua total plenitude, tão-somente naquilo que a própria liderança da Maranata diz o que vem a ser “Obra” – a saber, o próprio sistema religioso da Maranata, naquilo que exatamente ela tem e pratica como usos, costumes, dogmas particulares, ao qual chamam de “O Projeto” [da Igreja Fiel].

Para essa particular teologia, a “Obra do Espírito Santo” é todo o aparato de dogmas e costumes da Maranata, assim como tudo aquilo que é projetado ou “revelado” ao seleto grupo chamado Presbitério e sob a sanção final do “Presidente”. Cinicamente, reconhece-se como “Obra” a igreja que, não necessariamente tenha o nome “Igreja Maranata”, mas que seja uma cópia idêntica a ela em todos os seus dogmas, usos e costumes e ritualismo de culto, mas, acima de tudo, que seja subordinada ao governo do Presbitério da Igreja Maranata, o que, na verdade, só é a própria Maranata mesmo. Tanto que, no subconsciente deles, criticar as práticas da Maranata seria mesma coisa que “falar mal” da “Obra do Espírito Santo”; ao passo que criticar práticas de outra Denominação qualquer, não seria falar mal da “Obra do Espírito Santo”. Fala-se muito, enfatiza-se muito esse nome “Obra”, até mesmo mais do que o nome de Jesus.

A “Obra”, portanto, é a própria Igreja Maranata enquanto sistema religioso (patrimônios, dogmas, horários, usos e costumes), que é reputada como a mais exata, evoluída e fiel representação material da própria “Obra do Espírito Santo”, acredita-se. Inclusive, pelo fato da Maranata ser fundada no Estado de nome “Espírito Santo”, oportunamente, ensina-se que não foi por acaso tal local, mas sim como uma proposital operação profeticamente divina. Ressalte-se, outrossim, que o nome “Obra”, pela Maranata, é escrito como substantivo próprio (“o” maiúsculo), como que fosse uma divindade, como uma quarta pessoa da Trindade – Pai, Filho, Espírito Santo e a “Obra”. O nome “Obra” ganhou o lugar do nome, sobre todo o nome, Jesus Cristo; por isso é ovacionado e proclamado entre os membros como recurso fundamental da fé, da comunhão e da salvação; e Jesus Cristo, torna-se, na prática, apenas um acessório importante para caminhar, se achegar e servir à “Obra”. Afinal, já se diz que “a Obra é Filho Único” e “o veículo para Eternidade”.

2.2. Proselitismo

O Proselitismo é o nome dado ao empenho ativo de uma religião por novos fiéis, mas, hoje, é usado com conotação negativa, para descrever a suposta agressividade de uma igreja em arrebanhar fiéis de igrejas concorrentes. Em razão de ruminar o sentimento do exclusivismo, em se achar a mais avançada na espiritualidade, A Igreja Maranata objetiva que os cristãos de outras igrejas façam parte de sua comunidade e se convertam a eles. Este tipo de “evangelismo” é suscitado mensalmente, em especial nos meses destinados a certas categorias sociais, quais sejam: “mês dos vizinhos”, “mês das crianças”, “mês dos universitários”, “mês dos familiares”, “mês dos colegas de trabalho” e, claro, o “mês das autoridades do governo”, às quais é dada bastante ênfase e tratamento diferenciado em relação aos demais. A esta categoria de pessoas, em especial, é dada a prerrogativa de ser convidada, no fim dos cultos, a se fazer presente à frente da congregação para ser apresentada. Destaca-se, ainda, o mês de outubro, quando geralmente realizam-se eventos chamados de “Grande Evangelização”, em comemoração ao “aniversário da Obra” – fundação da Igreja Maranata.

Não se faz genuinamente o evangelismo bíblico em sua acepção mais pura possível, qual seja, a apresentação do Evangelho de Jesus a todos, e, acima de tudo, aos necessitados e rejeitados pela sociedade, como patrocinando missões em locais inacessíveis do Brasil e do mundo; mas sim, um ato de arrebanhar pessoas, necessariamente, para a sua Instituição, muitas vezes de outras Denominações ou devidamente selecionadas, escolhidas a dedo, previamente analisadas em seus atributos exteriores e como cidadãos, a saber, pessoas portadoras de atributos sociais e politicamente aceitáveis. Para tanto, nota-se que, a fim convencê-los, lança-se mão de muita propaganda de supostas virtudes e diferenças da Maranata em relação às outras igrejas. Até porque, como a liderança ensina que a Maranata é a detentora da plenitude real e verdadeira ou a expressão mais avançada/evoluída da “Obra do Espírito Santo”, motiva, portanto, seus membros “a pescarem nos aquários dos outros” com o fim de libertarem as pessoas do “cristianismo falido” ou da “religião”.

Há uma generalização maldosa sobre todas as igrejas. Convidam evangélicos e inclusive pastores de outras Denominações para lhes visitarem – alimentando, intimamente, a indiferença à fé alheia – mas, contraditoriamente, proíbe-se radicalmente que seus membros aceitem convites de outros grupos ou mesmo comunguem espiritualmente com outras pessoas cristãs que não sejam membros da Maranata, em função da sua superioridade e, claro, inferioridade espiritual dos outros – acredita-se.

3. Sectarismo

O Sectarismo religioso foi naturalmente sendo cultivado à proporção que o culto à Instituição e a convicção às suas “verdades” foi se concretizando na mente da liderança e, por conseguinte, na dos membros, definindo-lhes uma visão estreita, intolerante ou intransigente à fé e à espiritualidade cristã das pessoas de fora da Maranata. A liderança doutrina a massa a uma visão proselitista das verdades que pregam, na defesa ferrenha de seus ideais, fechando-se a qualquer diálogo. O sistema da Maranata proíbe taxativamente que membros engajados à Instituição não se relacionem espiritual ou sentimentalmente, sob hipótese nenhuma, com pessoas de outras igrejas ou até mesmo cultivem amizades. Sendo assim, visitas a outras igrejas é terminantemente proibido, por mais que tais grupos apresentem seriedade e compromisso com Deus. Até mesmo reuniões informais de cunho espiritual, como estudos bíblicos ou orações, também a liderança coíbe veementemente, caso tome ciência.

A liderança priva jovens de envolver-se amorosamente com outros cristãos, a ponto de intervir para o cancelamento de namoros – sob o pretexto de “revelação do Senhor” -, mesmo que o casal esteja no nobre intento de visar casamento. É ensinado que se deve buscar namoro e casamento só com servos dessa Obra, ou seja, entre os membros da Maranata; sob pena do “desobediente” ser excluído da Instituição, taxado como “enfermo espiritual”, ou, quando menos, ter suas funções eclesiásticas cassadas e sua pessoa discriminada deliberadamente pelos membros, por orientação da liderança. Nesse caso em especial, só tolerável tal relacionamento, se, e somente se, o membro arrebatar, em imediato, para a Maranata o crente da outra Denominação e nela congregar satisfatoriamente aos olhos da liderança. Em função dessa política partidarista, percebe-se que na Maranata há uma enormidade de jovens solteiros, sobretudo mulheres, porque não podem relacionar-se com cristãos, mesmo que sérios espiritualmente, de outras Instituições religiosas, destinado as tais um futuro solitário e sem constituição familiar.

Até mesmo aceitar convites ou comparecer descompromissadamente a casamentos, funerais, ordenação de ministério, batismo de familiares e amigos, enfim a eventos de outras Denominações é taxativamente proibido aos membros. Qualquer expressão de confraria com membros de outras igrejas cristãs é inadmissível. Esse sentimento faccioso é suscitado em razão de se considerarem espiritualmente superiores ou mais evoluídos em relação aos demais cristãos, os quais são reputados como pessoas débeis espiritualmente, pois desconhecem os “segredos da doutrina revelada” ou “não alcançaram a revelação” ; de modo que os adeptos da Maranata não podem se misturar ou congregar com pessoas da religião para não se contaminarem ou fazerem a mescla”, senão comprometerá a sua vida espiritual – como se apregoa.

Na verdade, por trás dessa política do sectarismo, a liderança tende a isolar seus membros do contato sócio-espiritual com o fito de assegurar e reter a fidelidade de seus membros à Instituição, impedindo assim possíveis dissidências quando eles forem confrontados em suas “verdades” mediante os ensinos das outras Denominações, fechando-lhes o raciocínio e alimentando-lhes à alienação com aquilo que eles vivem e lhes fora ensinado como “revelação” ou verdade inquestionável. Segundo a teologia da Maranata, em alusão aos judeus e gentios, a sua “parentela” não pode ser misturada.

3.1. Intolerância Religiosa

A Intolerância Religiosa ou Xenofobia Religiosa é extremamente radical. Considera-se que absolutamente todas as demais Instituições religiosas estão contaminadas com pelo menos uma ou mais daquilo que eles atestam como “As Sete Pragas”: 1 – Governo Humano; 2 – Destaque Pessoal; 3 – Fama e Projeção; 4 – União com a Política; 5 – Materialismo; 6 – Falta de Corpo; 7 – Falta de Sabedoria. Irremediavelmente, acredita-se que todas as expressões e agremiações cristãs, com exceção da Maranata, estão acometidas com tais pragas, motivo pelo qual as define, sediciosamente, como Tradição, Mescla e Movimentos, ou, genericamente, como a “Religião”.

Quando isolados, convenientemente, rotulam os membros das demais Denominações de primos, amalequitas, bodes, filhos de Baal, religiosos, letristas, sem-revelação, sem-obra, fora-do-projeto etc. Apregoa-se que se associar com qualquer um que professe uma fé cristã que não esteja sob o domínio das práticas doutrinárias emanadas do Presbitério da Maranata seria praticar o próprio Ecumenismo, nessa visão estreita, particular e intransigente. Em pregações de autodefesa, pelas críticas que estar a sofrer, a liderança, cinicamente, tende a afirmar que em algumas outras Instituições também “têm Obra”; muito embora, de modo muito contraditório, não se afirma quais sejam, e tampouco se permite que seus membros visitem, comunguem, confraternizem ou se envolvam com membros de outras igrejas cristãs que supostamente dizem “ter Obra”.

4. Legalismo

O Legalismo religioso é todo o sistema, regras, expectativas ou regulamentos que condiciona o crescimento espiritual ou santificação da alma à obediência restrita a usos e costumes, fazendo com que o crente passe a alimentar, em sua consciência, a noção de que o compromisso de uma vida sacra e, consequentemente, a aquisição de bênçãos e, para alguns, até a salvação, estão inerentemente dependentes do esforço humano para agradar a Deus, como fosse uma recompensa divina. Muito embora as Escrituras afirmem que uma vida de santificação é através de uma relação íntima e fraterna com Deus, enveredando-se pelos princípios da justiça, da verdade e da bondade e que as bênçãos decorrem da fé e da livre vontade divina, então, ignorando tais ensinos em razão da “bitola” do legalismo religioso adotado, os adeptos são formatados a compreender que ao se ataviarem de indumentárias específicas e obedecer hermeticamente a protocolos pré-determinados, dessa forma, estariam sendo justificados e apreciados por Deus, inclusive, discriminados superiormente daqueles que não abraçam a tais praxes exteriores. O legalismo é, portanto, o meio humano de tentar através da obediência de regras de homens, ser aceito e amado por Deus, anulando a Graça-Sacrifício de Jesus.

Na Maranata, seu sistema teológico alberga o legalismo religioso em sua mais acentuada e radical visão, pois é imposto aos adeptos um zelo extremo e nervoso aos ritos e costumes estabelecidos pelo Presbitério. O governo se preocupa com os mais delicados e minuciosos detalhes que estejam sob o alcance de seus olhos, na pretensão de ostentar esse sentimento de espiritualidade superior. Açula-se os adeptos a herculeamente cultivarem um zelo ofegante ao Ritualismo­ – a prática rigorosa de rituais e cerimônias religiosas no intento de obedecer a costumes tradicionais da Instituição com os quais se mantêm a aparência de “espiritualidade”, na crença de que, por meio de uma reverência e fidelidade copiosa aos seus pormenores, a atuação de Deus está satisfatoriamente condicionada a tal aplicação. Por mais rudimentares, tradicionais e seculares que sejam, cada uso e costume da Maranata são reverenciados como “revelados pelo Senhor” – agravando mais ainda a “bitola” da consciência culpada dos membros, em um frenesi religioso de cumprir, impulsivamente, particulares “mandamentos” para se tornarem ou permanecerem “santos”.

A liderança desenvolve uma tensão angustiante nos adeptos a se preocuparem com uma pontualidade neurótica de horários, a adotar rigorosamente indumentárias específicas, ao engessamento de proferir somente determinadas frases e palavras, a expressar tão-só certos atos e gestos em púlpitos, a se preocupar com os milímetros das posições da mobília, o tamanho do obrigatório arranjo de flores e toalhas dos púlpitos, enfim, sempre em sede de demonstração de espiritualidade. Os usos e costumes estão sob o patrulhamento e controle de um pastor e de olhares policiais dos “zelosos” componentes do “Grupo de Intercessão”. Todos os conformes devem ser rigorosamente cumpridos em demonstração de amor e fidelidade à “herança” que Deus supostamente deu à “Obra”.

Além disso, dada a idéia de que o crente passa a ser espiritualmente admirado por Deus e evoluído em santidade, à medida de sua obediência e fidelidade a usos e costumes, naturalmente, desenvolve-se no legalista a ânsia de obedecer cada vez mais aos mínimos detalhes estabelecidos pela Instituição, nascendo em seu coração um sentimento que não é legítimo, na busca de méritos com Deus visando vantagens, privilégios e benefícios perante os demais crentes, a título de autopromoção pessoal e exibicionismo religioso.  Logo, fatalmente, cria-se no adepto do legalismo, a sensação altiva de que não pertence à camada comum de cristãos, mas que pertence a uma classe acima, entre a elite dos justos de Deus – o adepto legalista passa a convencer a si mesmo que é muito justo em comparação aos demais, brotando em si o pecado da soberba religiosa.  O adepto do legalismo põe as regras acima de Deus e das necessidades humanas. Isto é, nessa beatice de canalizar-se na escrupulosa obediência a minuciosos praxes exteriores e preceitos institucionais, negligencia-se os fundamentos mais importantes, os verdadeiros valores cristãos, as necessidades do próximo, de si mesmo, os frutos do Espírito e o objetivo do Evangelho.

6. Escravismo

O Escravismo é induzido por doutrinação para que a Maranata, na prática, assuma direitos de propriedade sobre as escolhas e deveres do adepto, ao qual é imposta tal condição por meio da força, não física, mas difundida por chantagens emocionais e terrorismos espirituais (juízos divinos, promessas de ações diabólicas ou bênçãos de Deus condicionadas a tais atividades) a fim de que se submetam a uma severa rotina diária de atividades eclesiásticas. Os adeptos são praticamente tratados como mercadorias do sistema. As estimas fraternais e espirituais para com os adeptos variam conforme as suas condições de obediência e de utilidade ao sistema, logo, incutindo a culpa no adepto para se redobrar cada vez mais nas múltiplas atividades e horários da Maranata. O pastor da igreja local, como proprietário fosse das pessoas, pode permutá-las, remanejá-las, removê-las para outras igrejas da Maranata que estão sob seu “ministério”, de acordo com suas perspectivas, opiniões, conveniências e caprichos, sem ao menos ouvir previamente o desejo do adepto, sem que ele possa exercer qualquer direito e objeção pessoal. O pastor, para tanto, sempre sob o pretexto de agir segundo “revelação divina” e para edificação espiritual do adepto, ignora as circunstâncias como distância, família, emprego da ovelha.

A manutenção, ordenação e higienização patrimonial da Instituição são realizadas por trabalhos voluntários, salvos alguns raros casos em especial. Os adeptos são doutrinados a executarem uma jornada de tarefas diárias esgotantes e sufocantes sob o pretexto de estarem “fazendo a Obra do Senhor”, de tal maneira que, enquanto executam as tarefas “para Obra”, Deus estaria resolvendo os demais problemas da vida do ocupado adepto, isto é, cuidando do cônjuge, educando os filhos e concedendo bênçãos na vida estudantil e profissional. Em sede de atividades eclesiásticas, os componentes do “Grupo de Louvor” são submetidos ao rigor de dois ou três ensaios semanais, com freqüência obrigatória. Ungidos, diáconos, obreiros, senhoras de frente, professoras de crianças, devem comparecer, severamente, aos cultos diários, salvo se previamente avisarem a seu superior hierárquico ou diretamente ao pastor do motivo da ausência; porém, a depender da justificativa e do número das dívidas com “a Obra” (sistema religioso), pode, segundo o julgamento do pastor, gerar sanções ao membro.

Pastores, a seu turno, possuem a prerrogativa de ir quando, como e na hora em que quiser aos cultos e demais tarefas, sempre delegando suas funções a ungidos, diáconos ou obreiros. Ressalte-se ainda que todos os feriados e fins de semana são destinados a seminários, ou a mutirões de limpeza, ou a reuniões, ou a encontros de igrejas nas chácaras da Maranata (os “maanains”) – sem contar, nos demais dias da semana, os três cultos diários – cultos da madrugada, culto de meio-dia e culto (convencional).

comentários
  1. Elizeu Bercacola disse:

    Agradeço pelas informaçoes disponibilizadas, tenho tido uma infinidade de desencontros com minha esposa por causa dessa tal “Obra”. Sou Cristão, tenho um historico de serviços prestados as instituiçoes e a toda sociedade e estou à beira da separação em virtude de supostas “revelaçoes”, como eles dizem. O que observei na leitura desse artigo é, exatamente o que observei durante os ultimos oito anos, período em que minha companheira passou a fazer parte desta instituição. Não sei mais o que fazer… preciso de ajuda.

    • Carol disse:

      Elizeu, faca o que o meu marido fez comigo… Ore, aguente firme, va mostrando aos poucos como a palavra de Deus diverge das doutrinas da Maranata etc. Mas acima de tudo lembre-se que ela esta servindo ao Senhor, talvez nao da maneira com que concordemos, mas o coracao dela esta buscando a coisa certa!

      Convide-a para visitar outras igrejas, foi assim que eu pude ver, em primeira mao, que “ha vida fora da obra!”

    • Irmão Elizeu,

      tenha paciência com sua esposa – falta pouco. Em breve vai faltar algemas para essa cupula da seita maranata.

      PAZ

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